Política
Entre 60 obras e um prazo final de 30 dias, JHC decide seu futuro
Independentemente do tamanho ou do impacto de cada obra, o prefeito prepara uma agenda intensa de inaugurações
O prefeito de Maceió, JHC, anunciou a entrega de 60 obras nos próximos dias e afirmou que a capital vive um novo ciclo de crescimento. O pacote, divulgado em entrevista ao portal Agora Alagoas, faz parte de um conjunto de intervenções planejadas ao longo dos últimos anos e, segundo ele, consolida o ritmo do segundo mandato.
Mas, para além das inaugurações, há um calendário que corre em paralelo. JHC tem, na prática, cerca de 30 dias para decidir seu destino político. Até o prazo legal de desincompatibilização (4 de abril), precisará definir se permanece à frente da Prefeitura ou se deixa o cargo para disputar o Governo do Estado ou uma vaga no Senado.
O anúncio das 60 entregas, batizado de “Maceió Gigante” ocorre nesse contexto.
Independentemente do tamanho ou do impacto de cada obra, o prefeito prepara uma agenda intensa de inaugurações. A maior delas, sem dúvida, é o programa Renasce Salgadinho, intervenção ambiental e urbana de grande porte que se tornou uma das vitrines da atual gestão.
Também entram no pacote projetos já executados ou em fase final, como hospital e maternidade implantados no primeiro ciclo administrativo, além de intervenções de menor porte, caso do Mercado da Produção, que passou por reformas e requalificação após período de abandono.
JHC sustenta que o segundo mandato ocorre em ambiente mais organizado, fruto do ajuste administrativo realizado anteriormente. Na prática, a cidade deve viver dias de agenda cheia. O prefeito tende a concentrar dois, três ou até mais eventos no mesmo dia, ampliando visibilidade às entregas. É um movimento típico de quem pretende consolidar imagem administrativa antes de uma decisão maior.
E essa decisão não é simples.
Se optar por disputar o Governo do Estado, JHC enfrentará um cenário já amplamente ocupado por Renan Filho, que conta com o apoio da maioria dos prefeitos alagoanos e articula uma base robusta no interior.
Se o caminho for o Senado, o desafio também será significativo. O campo já reúne nomes consolidados como Alfredo Gaspar, Davi Davino Filho, Arthur Lira e Renan Calheiros — todos com bases eleitorais estruturadas e posicionamento definido.
Há ainda as variáveis partidárias. JHC permanece no PL, mas especulações sobre eventual mudança de legenda seguem nos bastidores. Soma-se a isso o futuro político de sua esposa, Marina, que pode disputar mandato de deputada federal, ampliando o peso da decisão familiar e estratégica.
E se decidir ficar na Prefeitura? A permanência também terá implicações. Qual será seu papel no processo eleitoral? Apostará na eleição de sua mulher como deputada federal? Buscará aproximação com o grupo dos Renans? Ou atuará como liderança autônoma, preservando capital político para o futuro?
Entre uma inauguração e outra, o prefeito terá que responder a essas perguntas. O prazo é curto.
Enquanto isso, nos bastidores da administração municipal, o vice-prefeito Rodrigo Cunha começa a organizar equipe e cenários possíveis. Mas essa, de fato, é outra história.

