Política

Brasil deve se preparar para o pior no Oriente Médio, diz embaixador

Por Redação* 02/03/2026 11h11
Brasil deve se preparar para o pior no Oriente Médio, diz embaixador
Celso Amorim - Foto: Sergio Lima/SERGIO LIMA

O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira (2) à GloboNews que o Brasil deve se preparar para o pior diante da escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel no Oriente Médio.

Segundo Amorim, "ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país em exercício é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior". Questionado sobre o que caracterizaria "o pior", ele mencionou o risco de expansão do conflito na região.

"O aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio tem grande potencial de alastramento. O Irã historicamente fornece armamento para grupos xiitas em outros países, além de apoiar grupos radicais", explicou o embaixador.

Amorim acrescentou que pretende tratar do assunto com o presidente Lula ainda nesta segunda-feira, já que os dois não conversaram em detalhes sobre o tema. Interlocutores do Planalto informaram que a diplomacia brasileira ainda avalia os impactos do conflito na agenda presidencial, incluindo a prevista viagem de Lula a Washington entre 15 e 17 de março, para encontro com o presidente norte-americano Donald Trump. Trump, por sua vez, afirmou recentemente que “adoraria” receber o presidente brasileiro.

"Estamos a poucos dias do encontro com Trump. É sempre difícil equilibrar a verdade e a conveniência. Manter a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza", disse Amorim.

O governo brasileiro já prestou solidariedade a países impactados pelos ataques retaliatórios do Irã e pediu a interrupção das ações militares na região do Golfo Pérsico. Em nota divulgada no sábado (28), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou a escalada como grave ameaça à paz.

Diferentemente de comunicado anterior, que condenou ataques de Israel e Estados Unidos contra alvos iranianos, a última nota não citou diretamente os dois países, mantendo tom mais diplomático e equilibrado diante da crise.

*Com informações do G1