Política
Morre aos 85 anos Gervásio Lins, primeiro prefeito de Campestre
Ex-prefeito de Campestre e Jundiá, ele teve papel decisivo na emancipação do município e ficou conhecido como “prefeito construtor”
Morreu aos 85 anos, na madrugada deste domingo (1º), no Hospital Regional do Norte, em Porto Calvo, o ex-prefeito de Campestre e Jundiá, Gervásio de Oliveira Lins. Ele estava internado na unidade hospitalar e não resistiu. A morte encerra uma trajetória política marcada pela atuação decisiva no processo de emancipação e estruturação administrativa de Campestre, no Norte de Alagoas.
Natural da Fazenda Duas Bocas, Gervásio construiu sua história pública a partir de origens simples. Pai de 16 filhos, começou a vida profissional como pedreiro, função que lhe rendeu reconhecimento pela habilidade na construção civil. Trabalhou ainda como chefe de obras e motorista de praça antes de ingressar na política, experiência que lhe aproximou das demandas cotidianas da população.
A carreira política teve início em Jundiá, onde foi eleito vereador por duas legislaturas e, posteriormente, prefeito do município. Contudo, foi em Campestre que consolidou seu principal legado. Ele teve papel central no movimento que resultou na emancipação política da cidade e, em 1996, foi eleito o primeiro prefeito do novo município. Reeleito em 2000, comandou a gestão por dois mandatos consecutivos.
Durante sua administração, ficou conhecido como “prefeito construtor”, em razão do volume de obras executadas e da ênfase na infraestrutura urbana. Entre as realizações atribuídas ao seu governo estão a implantação da subestação da antiga Ceal — hoje Equatorial Alagoas —, a construção do campo de futebol, da Câmara de Vereadores e da Escola Ministro Renan Calheiros, atualmente denominada Escola Professor Lenildo Ferreira da Silva.
Sua gestão também promoveu desapropriações e doações de terrenos que viabilizaram a expansão urbana e a instalação de prédios públicos, contribuindo para o ordenamento e crescimento da cidade nos primeiros anos após a emancipação.
Na educação, investiu na ampliação do acervo bibliográfico das escolas municipais e estruturou equipe pedagógica para fortalecer o ensino local. No campo cultural, apoiou manifestações tradicionais, como o grupo carnavalesco Sambão e os seresteiros Saudade Não Tem Idade. Também incentivou o esporte, com suporte ao time Alcatrão, fortalecendo atividades comunitárias.
Na área de mobilidade e comunicação, incentivou a criação da Associação dos Taxistas de Campestre – Usina Santa Therezinha (AMOTAC), apoiou a Rádio Comunitária Campestre FM e contribuiu para a implantação da telefonia fixa no município, ainda no período dos orelhões, por meio da Telemar — ampliando a conectividade da população em uma fase de expansão dos serviços básicos.
O corpo será velado na Câmara de Vereadores de Campestre. Está prevista uma cerimônia religiosa na Igreja Assembleia de Deus, e o sepultamento ocorrerá às 10h desta segunda-feira (2), no Cemitério Municipal.
Em razão da morte, o prefeito de Jundiá, Jorge Galvão, decretou luto oficial de três dias. Em Campestre, o prefeito Neto de Pino também adotou a medida e manifestou pesar. Vereadores dos dois municípios divulgaram notas de condolências à família, destacando a contribuição de Gervásio para a consolidação institucional e o desenvolvimento da região.
*Com informações do Jornal Extra


