Política

Davi, Gaspar, Lira e Renan: quem tem melhor estratégia para o Senado?

Hoje, quatro nomes estão postos na disputa pelas duas vagas disponíveis

Por Blog de Edivaldo Junior 26/02/2026 13h01
Davi, Gaspar, Lira e Renan: quem tem melhor estratégia para o Senado?
Davi, Gaspar, Lira e Renan. - Foto: Reprodução

O jogo pelo Senado começa a ganhar forma em Alagoas. Hoje, quatro nomes estão postos na disputa pelas duas vagas que estarão em jogo: Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Renan Calheiros e Davi Davino Filho.

Cada um com estratégia distinta.

Alfredo Gaspar é, entre os quatro, o candidato mais ideológico. Sua aposta está no voto conservador, no eleitor identificado com a direita e a agenda bolsonarista. É um campo delimitado, mas consistente. Se conseguir mobilizar bem essa base, pode alcançar algo próximo ao desempenho histórico de Jair Bolsonaro em Alagoas — um teto que, em cenário favorável, pode girar na casa dos 40% (Bolsonaro ficou com 36% em 2022).

Arthur Lira e Renan Calheiros operam em outra lógica. Apostam no chamado voto de base, de estrutura. É o voto construído com apoio de prefeitos, deputados estaduais, vereadores e lideranças locais. Ambos disputam o mesmo tipo de eleitorado, muitas vezes na mesma base municipal, brigando pelo primeiro e segundo voto.

Nesse modelo, a capacidade de transferência de votos dos prefeitos será decisiva. Municípios do Agreste e do Sertão, onde a política de base costuma ter maior eficiência, tendem a pesar mais. Em regra, tanto Lira quanto Renan podem alcançar teto semelhante ao de Gaspar, especialmente se estruturarem campanhas competitivas e bem financiadas.

Davi Davino Filho joga em outra faixa. Sua aposta é no voto solto, no eleitor que não está vinculado diretamente a estruturas políticas nem a alinhamentos ideológicos rígidos. Trabalha o discurso da renovação e do enfrentamento ao modelo tradicional, tentando dialogar com um conservadorismo sem radicalismo.

Entre os quatro, é o que tem maior margem de crescimento — desde que acerte no tom. Em 2022, Davi surpreendeu no confronto direto contra Renan Filho. Teve 627.396 votos (42,2%) numa eleição mais dura, com apenas uma vaga, enfrentando um adversário considerado praticamente imbatível. Se a disputa fosse com duas vagas, teria sido eleito.

Se conseguir se apresentar como alternativa ao voto tradicional e, ao mesmo tempo, evitar a polarização ideológica mais dura, pode conquistar um eleitorado que busca mudança, mas não se identifica plenamente com extremos. Essa leveza pode se tornar um diferencial competitivo.

Todos, evidentemente, também buscarão o chamado voto de opinião. Cada qual tentará apresentar legado, propostas e narrativa própria para além das estruturas partidárias ou ideológicas.

O cenário atual, no entanto, pode sofrer alterações relevantes. A eventual entrada do prefeito JHC ou da deputada Marina Candia na disputa ao Senado mudaria significativamente a equação, redistribuindo votos e alianças.

Mas essa é outra história.