Política
Fátima vai além de Atalaia e pode se reeleger com mais votos este ano
Os dados desmontam a tese de que sua eleição teria dependido do apoio da então aliada
A deputada estadual Fátima Canuto (MDB) virou alvo de especulações - e às vezes de ataques - desde o rompimento político com a prefeita de Atalaia, Ceci Hermann, sua ex-nora. Nos bastidores, adversários passaram a sustentar que a parlamentar enfrentaria dificuldades para renovar o mandato, sobretudo na cidade que historicamente faz parte seu principal reduto eleitoral – a região metropolintada.
Os números, no entanto, contam outra história.
Em 2022, Fátima foi eleita com 41.319 votos em todo o Estado. Desse total, 6.159 vieram de Atalaia — o equivalente a 27,5% dos votos válidos no município. Mesmo que se desconsiderasse integralmente essa votação, a deputada ainda teria somado cerca de 35 mil votos, patamar que, dentro do quociente da eleição passada, também garantiria sua cadeira na Assembleia Legislativa.
Os dados desmontam a tese de que sua eleição teria dependido do apoio da então aliada.
Fátima e a família Canuto mantêm atuação política própria em Atalaia há décadas, com rede consolidada de lideranças e presença direta junto à população. Parte expressiva da votação no município não foi transferida por terceiros, mas construída ao longo do tempo. Basta lembrar que Ceci Hermann foi eleita prefeita da cidade em 2020 graças a família Canuto.
Ainda assim, o rompimento redesenhou o cenário local.
Desde então, a deputada intensificou agendas fora do eixo tradicional. A estratégia da equipe é ampliar a presença na Região Metropolitana, no Agreste, na Zona da Mata, Sertão e no Litoral Norte. A avaliação interna é que o desgaste inicial provocado pelo conflito político foi compensado por uma reorganização territorial das bases.
Atalaia segue no radar.
A parlamentar mantém articulação com lideranças locais e aposta no trabalho direto com comunidades e associações. Paralelamente, prepara ações e visitas a municípios onde passou a ter atuação mais sistemática após o rompimento.
A meta não é apenas manter. É crescer.
Na equipe da deputada, a leitura é de que o ambiente de confronto acabou produzindo visibilidade e obrigou uma reestruturação política mais ampla. A aposta para 2026 está centrada na prestação de contas do mandato, na ampliação de parcerias com prefeitos e vereadores e no fortalecimento de projetos municipais vinculados ao seu gabinete.
Fátima teve a décima primeira maior votação da eleição passada e, em levantamentos internos, mantém desempenho competitivo, liderando entre as mulheres. Em um cenário de renovação estimada entre 20% e 30% da Assembleia, quem parte do mandato larga com vantagem.
A disputa será dura.
Mas os números mostram que, ao contrário do que sugerem avaliações mais apressadas, Fátima Canuto não depende de um único reduto para sobreviver politicamente. O desafio agora é transformar o episódio do rompimento em combustível para ampliar território eleitoral.
E essa conta começa a ser feita desde já.


