Política

Quaresma marca início da transição de JHC para Rodrigo Cunha

No auge da sua popularidade, o prefeito pode disputar qualquer cargo

Por Blog de Edivaldo Junior 19/02/2026 15h03
Quaresma marca início da transição de JHC para Rodrigo Cunha
Rodrigo Cunha e JHC durante diplomação no TRE. - Foto: Reprodução

A Quaresma começou nesa quarta-feira, 18 de fevereiro. Para os cristãos, é um tempo de reflexão, preparação e decisão. Para a política alagoana, também. Os próximos 40 dias serão decisivos.

Não por coincidência, o prazo final para filiação partidária e desincompatibilização de quem pretende disputar as eleições de 2026 termina exatamente nesse período. Pela regra eleitoral, o limite é 4 de abril, um sábado de aleluia. Na prática, as decisões devem ser oficializadas antes, entre a quinta-feira santa, dia 2, e a sexta-feira da paixão, dia 3.

Até lá, não há mais espaço para ensaios. É hora de escolher o caminho. E de começar a percorrê-lo. Renan Filho (MDB) já iniciou o desembarque do Ministério dos Transportes. As viagens Brasil afora na boléia de um caminhão é parte da estratégia de despedida.

Na política de Alagoas, além do ministro, o prefeito de Maceió, JHC (PL), também será diretamente impactado pelo processo eleitoral. Ele precisa decidir se permanece no cargo até o fim do mandato ou se renuncia para disputar o governo ou o Senado.

Diferente de Renan Filho, que tem 5 anos de Senado pela frente, para JHC o gesto não é apenas administrativo. É político. E irreversível. Se perder a eleição, fica sem mandato.

Mas é um risco calculado. No auge da sua popularidade, o prefeito pode disputar qualquer cargo (com chances de vitória maiores na disputa pelo Senado) e ainda teria forças para eleger a mulher, Marina, para um mandato federal e outro aliado para estadual.

Se JHC sair, abre caminho para o vice-prefeito Rodrigo Cunha assumir definitivamente a Prefeitura de Maceió e iniciar uma nova fase. Ele deixou o Senado em 2024 para compor a chapa como coadjuvante e pode voltar ao primeiro escalão da política, agora com a caneta na mão e o peso de comandar a maior cidade do Estado.

Se a decisão já foi tomada, a partir de agora começa a transição na prefeitura de Maceió – ainda que informal. Pela expectativa de poder, é natural que Rodrigo Cunha comece a definir equipe e prioridades da sua gestão, que pode começar no sábado de aleluia ou um pouco antes.

O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), também terá que deixar o cargo até o início de abril para disputar o governo de Alagoas, como já reafirmou publicamente. A decisão é parte de um planejamento já em curso, que prevê o retorno definitivo ao Estado para conduzir a pré-campanha no final de março.

No mesmo cenário estão gestores e auxiliares que precisarão fazer escolhas semelhantes. É o caso da prefeita de Atalaia, Ceci Hermann, e do secretário estadual Júlio Cezar, ambos com projetos eleitorais em construção.

Para todos eles, a Quaresma assume um significado que vai além do religioso. É o tempo da confirmação.

Até aqui, prevaleceu a fase das especulações, das hipóteses e dos movimentos indiretos. A partir de agora, começa o período das decisões formais. Quem pretende disputar terá que assumir riscos, deixar cargos e transformar intenção em ação.

A coincidência de calendário é simbólica. A política também entra em seu período de transição.

Quando chegar a Semana Santa, não haverá mais espaço para dúvidas. As chapas majoritárias e proporcionais serão definidas e os principais protagonistas estarão posicionados.

Até lá, cada gesto será observado com atenção.

Porque, assim como na tradição religiosa, o período que antecede a Páscoa é de preparação. Mas também é o momento que define o que vem depois.