Política
Direita se organiza com JHC e Gaspar: “chapa completa”, avisa Moreno
Leitura foi reforçada por declarações públicas e bastidores
A direita alagoana, historicamente marcada por dispersão e disputas internas, começa a ensaiar algo diferente para 2026: organização e unificação. E isso passa, cada vez mais, pela convergência em torno de dois nomes centrais mais ideológicos, a exemplo de Alfredo Gaspar e com maior densidade eleitoral, caso de JHC.
A leitura foi reforçada por declarações públicas e bastidores. Em entrevista ao Blog do Edivaldo Junior, Flávio Moreno, uma das vozes mais conhecidas do campo conservador no estado, avisa que a tendência é de unidade em torno do prefeito de Maceió e do deputado federal Alfredo Gaspar.
Nos bastidores, a montagem da chapa está sendo desenhada: JHC candidato ao Governo, Alfredo Gaspar ao Senado, com um segundo nome ao Senado que pode Arthur Lira. Davi Davino Filho, avalia Moreno, deve ser acomodado em outra posição dentro do arranjo.
Depois de participar na quarta-feira (28/01) de reunião com JHC, vereadores de Maceió e vários aliados políticos do prefeito, Flávio Moreno confirmou ao blog que recebeu convite para disputar vaga de deputado federal pelo PL, com aval da direção nacional e estadual. “Vou a federal. JHC governo. Gaspar Senado. A outra vaga é Arthur”, resumiu Moreno, em conversa direta com este blog.
O grupo aposta forte na mobilização digital, no eleitorado evangélico e conservador e na narrativa de gestão. A avaliação interna é que JHC deixou de ser apenas um prefeito bem avaliado da capital para se tornar um nome capaz de liderar um projeto mais amplo.
Alfredo Gaspar entra como peça-chave: tem densidade eleitoral, trânsito nacional e visibilidade após atuação na CPI do INSS. Para muitos aliados, ele é o nome mais competitivo da direita para o Senado.
Os argumentos vão além da ideologia. Maceió foi a única capital do Nordeste em que Jair Bolsonaro venceu em 2022. Em Alagoas, a diferença entre Lula e Bolsonaro foi a menor da região. Existe, portanto, um eleitorado conservador numeroso, mobilizável e historicamente subaproveitado.
Ainda há variáveis em jogo, ajustes e egos para acomodar. Mas, pela primeira vez em muitos anos, a direita alagoana parece trabalhar com algo que sempre lhe faltou: coordenação.
Se isso será suficiente para vencer, o tempo dirá. Mas pela primeira vez em décadas, a direita tem chances de organizar e liderar a oposição em Alagoas. Lula, Renans, acordo de Brasília são temas que JHC parece estar deixando para de lado e sem olhar para o retrovisor. Mas essa é outra história.


