Política

“O candidato que todo mundo quer”: a revelação de um articulador de AL

Por Blog de Edivaldo Junior 22/01/2026 04h04
“O candidato que todo mundo quer”: a revelação de um articulador de AL
Mesaque Padilha - Foto: Reprodução

“O candidato que todo mundo quer é aquele que tem muitos votos, mas não ganha.” A frase, dita por um dos mais experientes articuladores da política alagoana, resume com precisão uma lógica que voltou a dominar os bastidores na montagem das chapas proporcionais para 2026 em Alagoas.

O raciocínio é simples — e perigoso. Partidos buscam nomes com densidade eleitoral suficiente para ajudar no quociente, mas que, em tese, não disputariam diretamente as vagas. São os chamados “bons de voto”, úteis para empurrar a chapa, mas tratados internamente como coadjuvantes no momento de ocupação das cadeiras.

Um dos exemplos citados nos bastidores é o do líder evangélico Gunnar, que será candidato a deputado federal pelo PP. Segundo o articulador, ele se encaixa exatamente nesse perfil.

“Ele tem muitos votos, mas quem chamou não acredita que ele vá ganhar”, resume.

O alerta vem logo em seguida — e não é retórico. “É preciso saber escolher bem. Em 2022, o Mesaque Padilha foi convidado para a chapa de estadual do União em Alagoas achando-se que ele tinha esse perfil. No final, foi eleito e deixou outros nomes, inclusive favoritos, de fora.”

O caso virou referência entre dirigentes partidários. Mesaque entrou como peça auxiliar e saiu como protagonista, alterando completamente o cálculo interno da chapa e frustrando expectativas de quem se via eleito antes mesmo da votação.

É exatamente esse risco que ronda agora as principais montagens para a Câmara dos Deputados. MDB, PP, PSD e PL seguem adotando lógica semelhante: convidam ex-prefeitos, ex-deputados e lideranças regionais com voto comprovado para “fechar conta” e disputar a segunda ou terceira vaga. Na planilha, tudo parece sob controle. Na urna, nem sempre.

A questão que começa a inquietar alguns estrategistas é óbvia, mas pouco verbalizada: e se um desses nomes decidir não aceitar o papel de figurante? E se resolver fazer campanha para ganhar, e não apenas para ajudar?

Em chapas cada vez mais equilibradas, qualquer candidato que ultrapasse a expectativa interna pode bagunçar toda a hierarquia previamente desenhada. O “puxa-voto” vira eleito. O favorito vira suplente. E a engenharia política montada meses antes cai por terra em poucas horas de apuração.

Por isso, embora a busca por nomes competitivos siga intensa, cresce também o cuidado na escolha. Densidade eleitoral é ativo. Ambição política, também. O problema é quando os dois caminham juntos — e alguém finge não perceber.

Em 2026, mais uma vez, as chapas serão montadas com base em cálculos, médias e projeções. Mas a história recente mostra que basta um candidato resolver imitar Mesaque para transformar estratégia em surpresa.

E, na política, surpresa quase nunca é bem-vinda para quem achava que já estava eleito.