Política
Gaspar pode romper com JHC após “queimar largada” para o Senado
O tempo passou e Alfredo Gaspar e JHC se tornaram aliados em 2023. Desde então, a relação entre o prefeito de Maceió e o deputado federal do União passou a ser tratada, até aqui, como estratégica.
Eles eram adversários. Na campanha de prefeito e 2020 elevaram o tom um contra o outro, com direito a ofensas pessoais. O tempo passou e Alfredo Gaspar e JHC se tornaram aliados em 2023. Desde então, a relação entre o prefeito de Maceió e o deputado federal do União passou a ser tratada, até aqui, como estratégica.
Com a aproximação, Gaspar – que se afastou do antigo aliado, o ministro Renan Filho – passou a ocupar espaço na gestão municipal. As Secretarias de Saúde e Habitação são hoje comandadas por indicados do seu grupo político. No cenário de hoje, ele não é um simples aliado. É considerado “peça-chave”. Ou era.
Esse equilíbrio começou a mudar no momento em que Gaspar comunicou ao prefeito sua intenção de disputar o Senado em 2026. O gesto, embora legítimo do ponto de vista individual, foi recebido no entorno de JHC como precipitado e isolado. Para interlocutores, Gaspar teria “queimado a largada”.
A avaliação é de que a decisão, sem conversa prévia com o prefeito, rompe um pacto informal de que qualquer movimento majoritário passaria, antes, por uma construção dentro do grupo de JHC.
Nos bastidores, a leitura é ainda mais direta. A decisão de Gaspar teria sido estimulada — ou ao menos respaldada — por uma articulação com o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Se for real esse movimento, Gaspar apenas bate de frente frontalmente com os planos de JHC para o Senado.
O prefeito nunca escondeu que trabalha com uma estratégia própria para essa vaga. A senadora Eudócia Caldas, sua mãe, ocupa hoje o mandato que pertencia a Rodrigo Cunha, atual vice-prefeito de Maceió, numa articulação conduzida diretamente por JHC.
O objetivo é manter a cadeira no campo familiar e político do prefeito. Nesse cenário, o nome mais provável para a disputa é o da primeira-dama, Marina Candia, embora o próprio JHC siga como possibilidade concreta, a depender do desenho final da eleição.
A lógica é simples na teoria, mas complexa na execução. JHC joga simultaneamente em dois tabuleiros: Senado e Governo. Se puder, tentará os dois. Se tiver que escolher, a prioridade é garantir ao menos uma das vagas majoritárias, com preferência evidente pelo Senado, onde o controle político é maior e o risco eleitoral, menor.
Ao antecipar sua candidatura, Alfredo Gaspar contrariou esse plano, . O movimento, além de criar ruído interno, contribuiu para ampliar o distanciamento já existente entre JHC e Arthur Lira. Não por acaso, o grupo do prefeito tratou de sinalizar reação. Uma nota distribuída à imprensa informou que JHC fará uma reforma administrativa até o Carnaval — aviso lido nos bastidores como um recado claro aos aliados.
A reforma abre espaço para uma definição prática: quem permanece no governo e quem segue outro caminho.
Não há rompimento. Ainda. Mas o ambiente mudou. A antecipação do jogo deixou JHC de “orelhas em pé”, levando o prefeito a reavaliar alguns movimentos. Um deles, é a retomada do diálogo com Davi Davino Filho, que é pré-candidato ao Senado.
Decisão mesmo, só em 4 de abril. Até lá, os movimentos devem se calculados milimetricamente. Porque, na política alagoana, antecipar o jogo pode não ser sinal sabedoria. Para Gaspar e para os outros aliados de JHC, só existem uma ou escolha: manter a aliança com JHC ou com Arthur Lira. Mas essa é outra história.


