Política
JHC cobra lealdade: quem não votar com seu grupo está fora da prefeitura
E não tem nada de administrativa ou técnica, está mais, na verdade, para um teste de fidelidade
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PL) está prestes a fazer mais uma reforma política da sua gestão. As mudanças serão oficializadas nos próximos dias, antes do Carnaval. E não tem nada de administrativa ou técnica. Está mais, na verdade, para um teste de fidelidade.
O prefeito já avisou a aliados que quer saber quem está com ele no projeto eleitoral de 2026. A lógica adotada, segundo um influente interlocutor, é simples. Quem estiver com JHC fica na gestão. Quem não seguir com seu grupo na próxima eleição ficar fora da estrutura administrativa.
E o alinhamento é mais amplo do que se imagina. Passa, nesse momento, principalmente, pela montagem de chapas proporcionais – de deputado federal e deputado estadual.
As possíveis e prováveis exonerações têm caráter “didático”. Servem para ajustar espaços de poder, reorganizar a base aliada e, principalmente, separar aliados circunstanciais de parceiros estratégicos para as eleições.
No momento, a prioridade passa pela montagem de uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados pelo PL. JHC trabalha com o objetivo claro de eleger um deputado federal do seu grupo. Dois nomes surgem como opção: o da senadora Eudócia Caldas, sua mãe, e o da primeira-dama Marina Candia, que volta a ser tratada como opção real para a disputa.
A retomada do nome de Marina Candia – que vinha sendo especulada com candidata ao Senado - para a Câmara dos Deputados representa um novo movimento de JHC. Para viabilizar a chapa, ele vai precisar de mais nove nomes. A expectativa é que ele “convide” alguns vereadores de Maceió e deputados federais que tem cargos indicados na prefeitura.
Caso a decisão se confirme, o prefeito passa a desenhar uma composição familiar e política mais ampla para 2026. Nesse cenário, o passo seguinte seria a definição de um nome da família Caldas para a Assembleia Legislativa.
As opções colocadas à mesa são o ex-deputado João Caldas, pai do prefeito, e João Antônio, seu irmão. A escolha tende a levar em conta tanto a viabilidade eleitoral quanto o equilíbrio interno do grupo.
De quebra, além de vereadores JHC também testa a fidelidade de aliados com mandato federal que hoje ocupam espaços na Prefeitura de Maceió. Deputados como Alfredo Gaspar de Mendonça, delegado Fábio Costa e Marx Beltrão devem ser chamados escolher se ficam ou não no grupo do prefeito.
A expectativa é que sejam convidados a integrar formalmente o projeto político do prefeito. A permanência de seus indicados na gestão dependerá dessa decisão.
O mesmo critério deve ser aplicado aos vereadores. A base será reorganizada a partir de um compromisso explícito com o projeto eleitoral do prefeito. Neutralidade, neste momento, tende a não ser uma opção.
Com a reforma política em curso, JHC também se aproxima da definição do seu próprio futuro. Permanecerá no comando da Prefeitura até o fim do mandato ou deixará o cargo para disputar o Governo de Alagoas ou o Senado? Essa resposta ainda não foi formalizada, mas os movimentos indicam que a decisão será tomada após a consolidação das chapas proporcionais.
O fato é que, ao avançar com exonerações e redefinir alianças antes do Carnaval, JHC deixa claro que entrou de vez no modo eleitoral. A reforma administrativa vira instrumento político. E o recado, nos bastidores, já foi entendido: o tempo de ficar em cima do muro acabou.
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