Política
Dois novos nomes do governo podem mudar o jogo do Senado em Alagoas
O que antes parecia um duelo quase exclusivo entre Arthur Lira e Renan Calheiros passa a se transformar em um cenário de múltiplas candidaturas
O quadro da disputa pelo Senado em Alagoas pode mudar de forma – e muito - com a eventual entrada de novos nomes no campo do centro e da centro-esquerda. O que antes parecia um duelo quase exclusivo entre Arthur Lira e Renan Calheiros passa a se transformar em um cenário de múltiplas candidaturas, capaz de alterar a correlação de forças na disputa que parecia uma das mais tranquilas para 2026.
Pelo lado da oposição, a tendência é de pulverização. Hoje, trabalham com pré-candidaturas ao Senado Arthur Lira, Davi Davino Filho, Alfredo Gaspar e Marina Candia. Quatro nomes disputando o mesmo eleitorado, em grande parte concentrado na capital e em segmentos urbanos mais alinhados ao campo conservador – a exceção é Lira, que tem forte presença no interior.
Essa fragmentação, embora movimente os bastidores, se confirmada, tende a diluir votos num ambiente de duas vagas em disputa – o que eleva o grau de incertezas e aumento o risco para deputados federais que tem reeleição considera tranquila, a exemplo de Lira e Gaspar.
No campo governista, o movimento é inverso. Além da candidatura já dada como certa de Renan Calheiros à reeleição, o grupo do Palácio dos Palmares não tinha nenhum outro nome no radar. Não tinha. Depois da fragmentação da oposição, pelo menos dois outros nomes competitivos surgiram no horizonte: o vice-governador Ronaldo Lessa e o deputado estadual Dr. José Wanderley. Ambos são vistos como alternativas viáveis para ocupar a segunda vaga de senador na chapa majoritária.
A entrada desses nomes muda o equilíbrio do jogo. Se antes o cenário era considerado difícil para o governo, com Renan enfrentando Arthur Lira em um duelo direto, agora a disputa pode se tornar mais favorável ao grupo governista. Isso porque a pulverização dos votos da oposição contrasta com uma estratégia mais concentrada no campo aliado ao governo.
O compromisso inicial do grupo do governo é concentrar votos em Renan Calheiros, mas diante da pulverização da oposição, outras candidaturas passaram a ser consideradas como viáveis. Em partem essa nova estratégia poderia ser viabilizada pela ocupação do território eleitoral.
Enquanto a oposição tende a concentrar forças na capital e em alguns polos urbanos, o governo mantém maior capilaridade no interior do Estado, especialmente entre prefeitos e lideranças locais. Nesse contexto, a formação de uma dobradinha com Renan Calheiros passa a ser decisiva. Quem estiver ao seu lado pode herdar o chamado “segundo voto” nas bases governistas, um ativo valioso numa eleição majoritária.
Esse movimento pode se transformar em um problema sério para Arthur Lira. Se a oposição dividir seus votos entre quatro nomes, enquanto o governo conseguir organizar o apoio dos prefeitos em torno de dois candidatos, o grupo palaciano pode não apenas garantir a reeleição de Renan, como também viabilizar a eleição de um segundo senador.
É nesse espaço que surgem Ronaldo Lessa e Dr. Wanderley. Ambos têm histórico, visibilidade e bom trânsito político. Lessa, com sua trajetória no Executivo e no campo progressista. Wanderley, com a força de sua atuação na saúde pública e seu perfil técnico, respeitado por diferentes setores.
O Senado, que parecia uma disputa engessada entre dois polos, pode se tornar imprevisível. E, nesse novo desenho, o governo, que antes corria atrás do que é seu, a vaga de Renan, pode acabar encontrando o caminho para ampliar sua bancada em Brasília. Mas essa é outra história.


