Política

JHC autoriza prefeitura a liberar informações em meio à crise do Iprev

Segundo dados oficiais, o Iprev realizou a terceira maior aplicação do Brasil no Banco Master, com mais de R$ 117 milhões investidos, montante que representa cerca de 10% do fundo previdenciário municipal, avaliado em R$ 1,4 bilhão

Por Blog do Edivaldo Junior 22/11/2025 14h02 - Atualizado em 22/11/2025 14h02
JHC autoriza prefeitura a liberar informações em meio à crise do Iprev
Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) - Foto: Ascom Iprev

A crise provocada pela liquidação do Banco Master e pela prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, teve forte recomposição na política alagoana, especialmente em Maceió. O caso ganhou força após a Polícia Federal deflagrar a operação que revelou fraudes bilionárias e levantou a possibilidade de novas delações envolvendo políticos influentes do centro e da direita do Congresso.

No plano local, os holofotes se voltam para o Instituto de Previdência dos Servidores do Município, responsável por uma das maiores aplicações do país na instituição hoje liquidada. Segundo dados oficiais, o Iprev realizou a terceira maior aplicação do Brasil no Banco Master, com mais de R$ 117 milhões investidos, montante que representa cerca de 10% do fundo previdenciário municipal, avaliado em R$ 1,4 bilhão.

Apesar da pressão crescente, o prefeito JHC aparenta tranquilidade diante das investigações. De acordo com um interlocutor próximo, ele determinou que o Iprev forneça todas as informações solicitadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

A orientação, segundo essa fonte, é de colaboração total, sem restrições, como forma de reforçar a transparência da gestão no momento em que o caso ganha repercussão nacional. O prefeito também tem sinalizado confiança na legalidade das operações realizadas pelo instituto.

Seus principais auxiliares, entre eles o secretário Junior Leão, afirmam que todas as aplicações foram feitas dentro das normas vigentes, seguindo critérios técnicos e sem qualquer irregularidade administrativa.

Segundo o mesmo interlocutor, o prefeito foi categórico ao afirmar que “não tem compromisso com erros” e chegou a dizer, em tom direto, que “quem for podre, que se quebre”, numa referência à responsabilização de eventuais envolvidos em decisões equivocadas ou ilegais.

Ele também ressaltou que não há qualquer indício de participação pessoal ou política na escolha das aplicações feitas pelo Iprev no Banco Master. Ainda assim, reconhece o impacto político do caso e sabe que enfrentará esse desgaste até que a situação seja plenamente esclarecida.

A possibilidade de perda definitiva dos recursos preocupa servidores e entidades sindicais, já que a quantia aplicada representa uma parcela relevante do fundo. Caso o município não consiga recuperar os valores no processo de liquidação, o prejuízo será expressivo. Mesmo assim, a Prefeitura de Maceió garante que os pagamentos de aposentados e pensionistas seguem assegurados, independentemente do desfecho da recuperação dos ativos.

A administração reitera que trabalha para tentar reaver os recursos e está acompanhando de perto as etapas do processo conduzido pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.

O tema também se tornou alvo de debates mais intensos na Câmara de Vereadores, onde opositores ampliam as críticas à gestão e pedem mais explicações sobre os critérios que levaram à aplicação dos recursos no banco agora alvo de investigações federais.

A crise, portanto, terá desdobramentos tanto no campo financeiro quanto no político. Mesmo mantendo o discurso de serenidade, JHC enfrenta um dos episódios mais sensíveis de sua administração, cujo impacto ainda dependerá das próximas decisões da PF, do Ministério Público e do avanço dos processos de liquidação do Banco Master.