Política
"Laranja" de esquema que desviou R$13,8 mi em Rio Largo mora na periferia de SP
Um inquérito da PF reuniu indícios de que o prefeito, Gilberto Gonçalves (Progressistas), teria usado duas empresas para desviar dinheiro federal
O empresário alagoano Adson Lima da Silva, de 33 anos, aparece, segundo os registros da Receita Federal, como um dos donos da construtora Litoral, com sede em Maceió, que recebeu R$ 13,8 milhões, vindos em sua maioria de verbas federais repassadas a prefeituras alagoanas. Sua residência, porém, não condiz com um empresário que recebe esse montante financeiro.
Em reportagem publicada nesta quinta-feira (4), o Estadão esteve no endereço que consta em relatório da Polícia Federal vinculado ao CPF de Adson. Ao contrário do que se imagina de um empresário com contrato milionários, no endereço a reportagem encontrou uma 'vila', onde vivem várias famílias.
Segundo os vizinhos, Adson se mudou há alguns anos. Para a PF ele é um “laranja” no esquema de desvio de verbas federais enviadas para a cidade de Rio Largo (AL). Um inquérito da PF reuniu indícios de que o prefeito, Gilberto Gonçalves (Progressistas), teria usado duas empresas para desviar dinheiro federal. Uma das empresas está registrada em nome de Adson.
A Polícia Federal diz que se trata de uma empresa de fachada: a Litoral nunca teve empregado registrado e a sede fica no quarto do Hotel Aqua Inn, no bairro da Ponta Verde, na capital alagoana.
Segundo relatório da Polícia Federal, o dinheiro que abasteceu a empresa chegou às prefeituras alagoanas por meio do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) e dos Fundos Municipais de Saúde (FMS) dos municípios, esse último alimentado também com recursos do Orçamento Secreto. No caso de Rio Largo, o Fundo Municipal de Saúde local recebeu quase R$ 9 milhões de emendas enviadas por Arthur Lira.

O prefeito de Rio Largo Gilberto Gonçalves usa redes sociais
para agradecer o apoio que recebe do presidente da Câmara Arthur Lira.
Adson também trabalhou durante um tempo em uma empresa de autopeças, chamada Reauto – esta existe de fato e pertence ao pai de Adson, Ailton. Apesar disso, a Reauto “apresenta estrutura incompatível com os valores que transitaram por suas contas, pois, entre 01/01/17 e 15/02/22, recebeu R$ 49.038.965,19″ de Rio Largo e outras prefeituras alagoanas, segundo a PF.
Adson, seu irmão Alisson e outras pessoas ligadas à Litoral e à Reauto fizeram 233 saques de dinheiro vivo, na boca do caixa, com valores acima de R$ 10 mil – a maior parte deles tinha o valor de R$ 49 mil. Alguns do saques ocorriam no mesmo dia em que a prefeitura de Rio Largo depositava na conta da Litoral. Trata-se de uma tática para evitar a detecção pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que recebe alertas sobre operações acima de R$ 50 mil. Em quatro ocasiões, a Polícia Federal flagrou pacotes de dinheiro sendo entregues pelo pessoal das empresas aa seguranças pessoais de Gilberto Gonçalves, que inclusive estavam usando veículos oficiais do município. O dinheiro foi então levado à prefeitura.
O imóvel simples onde Adson viveu é uma casa simples, na comunidade Jardim Ipanema, no bairro de Jaraguá, em São Paulo.
Por intermédio de sua assessoria, Lira informou que destina verbas federais para prefeitos que o apoiam, como fazem os demais deputados e senadores. “Cabe aos órgãos de controle a fiscalização eficiente para o bom uso dos recursos. É isso que apoiamos”, disse. Procurado, o prefeito Gilberto Gonçalves não se manifestou.
Com informações do Estadão
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