Política
Presidenciáveis criticam Eduardo Bolsonaro após ele ironizar tortura sofrida por Miriam Leitão
Lula e Moro prestaram solidariedade, enquanto Ciro chamou o filho do atual presidente de 'verme'.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi criticado por várias figuras do meio político após afirmar ter "pena da cobra", ao comentar uma coluna da jornalista Miriam Leitão com críticas ao presidente Jair Bolsonaro.
Miriam já relatou ter sido torturada aos 19 anos, durante a ditadura militar, enquanto estava grávida, e que uma cobra foi usada para intimidá-la.
"Comemorar o sofrimento alheio é perder de vez a humanidade", disse Lula. "Minha solidariedade à jornalista Míriam Leitão, vítima de ataques daqueles que defendem o indefensável: as torturas e os assassinatos praticados pela ditadura", escreveu Lula em suas redes sociais.
Minha solidariedade à jornalista Miriam Leitão, vítima de ataques daqueles que defendem o indefensável: as torturas e os assassinatos praticados pela ditadura. Seres humanos não precisam concordar entre si, mas comemorar o sofrimento alheio é perder de vez a humanidade.
— Lula (@LulaOficial) April 4, 2022
O ex-presidente foi respondido pelo filho da jornalista, Matheus Leitão. "Como filho, me emociono. Sua voz branda e firme é muito importante para o país neste momento", comentou.
Sérgio Moro (União Brasil) ex-juíz da Lava-Jato e ex-ministro da Justiça, classificou o episódio como "inaceitável". "É inaceitável usar um episódio de tortura para atacar a jornalista Míriam Leitão. A vergonha está no ofensor. Covarde é quem ofende mulher."
Já Ciro Gomes, candidato à presidência pelo PDT, chamou Eduardo Bolsonaro de 'verme' e classificou o deboche de Eduardo Bolsonaro como sombrio.
Políticos e jornalistas se solidarizaram com Miriam. Parlamentares da oposição disseram que vão representar contra Eduardo Bolsonaro no Conselho de Ética da Câmara.
Sem fake news
Checagens apuraram que é falso que Mirim Leitão tenha sido presa por assalto a banco em 1968, mostram checagens.
Segundo AFP, g1 e Lupa, a jornalista tinha 15 anos na época e vivia em Caratinga-MG, não em São Paulo, onde teria ocorrido o roubo. Além disso, Miriam não participou de luta armada contra a ditadura militar e nem consta sua participação em roubos.
A jornalista foi presa aos 19 anos, em 1972, por fazer parte do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), mantido na clandestinidade pela ditadura. Na ocasião, Miriam, que estava grávida, foi torturada.


