Política
Frentes de direita de Alagoas se articulam para o pleito e apostam na imagem de Jair Bolsonaro
O Brasil ainda vive um momento polarizado em decorrências das eleições de 2018, quando o presidente Jair Bolsonaro saiu vitorioso do pleito. Desde então, os campos de direita e esquerda no país começaram a ficar melhor divididos e identificáveis. No entanto, já há divisões dentro da própria direita. Há as diferenças de espectro político, que separam liberais de conservadores, mas há também outros fatores, como circunstâncias locais e até mesmo as brigas internas ocorridas dentro do PSL, que separou os seus membros entre bolsonaristas (que aguardam apenas a aprovação do Aliança Pelo Brasil para migrarem de legenda) e os bivaristas (ala de apoio ao deputado federal Luciano Bivar).
Em Alagoas, essas divisões também se fazem presente. De um lado, há ativistas da direita que trabalham para tentar viabilizar o Aliança Pelo Brasil (APB) já para esse pleito. Do outro, os membros do PSL e, entre os liberais, nomes que estão no Novo e até mesmo em outros partidos que não são de esquerda. Na capital alagoana, ativistas do APB acreditam na possibilidade do partido já ser oficializado no início do mês de abril, o que possibilitaria as candidaturas. Todavia, há chances – reconhecem eles – disso não ocorrer.
O APB se estrutura para, pelo menos, conseguir disputar a eleição em Maceió com um candidato à majoritária. Quem lidera esse processo é o deputado estadual Cabo Bebeto (PSL). O parlamentar destaca que só permanece no PSL porque está preso ao partido em função da legislação eleitoral. Se Bebeto deixar a legenda, ele perde o mandato por conta da infidelidade partidária. Mas, enquanto costura a saída do PSL, o parlamentar já renunciou ao comando da Executiva municipal e expõe com todas as letras: “nenhum candidato do PSL terá o apoio de Jair Bolsonaro”.
A declaração do Cabo Bebeto já coloca ele mesmo em rota de colisão com o dirigente estadual do PSL, Flávio Moreno. O presidente estadual do PSL acredita que terá o apoio do presidente da República na disputa pela Prefeitura Municipal. Moreno diz que o PSL está estruturado em Alagoas, com diversos diretórios e coloca o partido no espectro da direita e em apoio a Bolsonaro. Aliás, ele se assume como um dos principais ativistas da campanha presidencial em 2018.
Flávio Moreno praticamente ignora a crise que atingiu o PSL e o fato de que parlamentares federais deixarão a legenda assim que puderem em apoio a Bolsonaro, que deixou o partido após a briga pública com Luciano Bivar.
CABO BEBETO
O Cabo Bebeto, por sua vez, não descarta uma candidatura à majoritária. Ele é o pré-candidato do Aliança Pelo Brasil, dependendo apenas das circunstâncias para consolidar o projeto, já que não depende apenas dele, mas da Justiça Eleitoral. Bebeto diz que também tem que perceber o sentimento popular em relação ao seu nome.
Caso o Aliança não se consolide – conforme informações de bastidores – a tendência é que “bolsonaristas” migrem para outras legendas. Dentre elas, está o Podemos, que hoje é comandado pelo secretário municipal de Iluminação Pública de Maceió, Tácio Melo. Nesse caso, pode ser construída uma aliança que tenha como candidato à Prefeitura de Maceió, o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. Porém, são informações de bastidores.
Mendonça não confirma se já possui acordo com um partido político.
No que depender dos apoiadores de Bolsonaro em Maceió, o Aliança Pelo Brasil se consolida. A sigla já conseguiu – em Alagoas – bater a meta da quantidade de assinaturas esperada: 1,7 mil. Mas, conforme o ativista e empresário Leonardo Dias, a campanha de coleta de assinaturas segue na rua até que se aprove a criação da agremiação. “Batemos a meta, mas vamos seguir coletando assinaturas até o Aliança Pelo Brasil ser reconhecido oficialmente”, colocou.
Dias reconhece a dificuldade de aprovar a legenda para o pleito de 2020, mas diz que é algo possível. “Nacionalmente, já se conseguiu 60% das assinaturas necessárias. A dificuldade maior serão os trâmites burocráticos”, frisou. Segundo Dias, o sentimento da militância é o apoio ao deputado estadual Cabo Bebeto. “Ele é um líder e ocupa um papel importante. É o principal nome do presidente Bolsonaro com mandato. É natural que ele seja o nome que defendemos para ser candidato”, analisou.
O empresário destaca que – em Alagoas – foram feitas coletas de assinaturas em diversas cidades do interior. Assim que aprovado pela Justiça Eleitoral, o Aliança Pelo Brasil passa a ser liderado pelo Cabo Bebeto.
VEREADORES
Leonardo Dias diz ainda que há um grupo interessado na disputa pelas cadeiras da Câmara Municipal de Maceió. O próprio ativista é um dos pré-candidatos. “A dificuldade para eleger vereadores será atingir o coeficiente eleitoral reunindo candidatos que tenham o perfil do Aliança Pelo Brasil, pois é necessário que se defenda os valores do partido para estar na sigla. O Aliança não pode cometer o erro de ser um partido que abra as portas para qualquer um que queira ser candidato. Não pode se guiar pelo fisiologismo jamais”, frisou. “Estamos aglutinando a militância bolsonarista para essa nova fase”, completou.
Leonardo Dias diz ainda que muitos filiados do PSL já estão buscando a desfiliação. “Estamos ajudando as pessoas a se desfiliarem. Houve desfiliações do PSL por parte de pessoas que buscam o Aliança, assim como também de gente de outros partidos. Só do PSL foram 50 desfiliações. A ideia é que o Aliança seja um partido de valores conservadores e de que não ocorra a mesma coisa que aconteceu no PSL”.
Dias foi um dos ativistas da campanha de Bolsonaro em 2018 e hoje é um dos líderes do Movimento Brasil. “O Movimento Brasil apoia a criação do partido e os valores que estão sendo postos no estatuto, mas possui independência em relação ao Aliança”, explica.

