Política
Bolsonaro discursa com tom agressivo em Assembleia Geral da ONU
Presidente discursou por 31 minutos
Em um tom agressivo, em que atacou os governos de França, Venezuela e Cuba, o socialismo e o ambientalismo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) abriu hoje a 74ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) com um discurso semelhante ao que permeou sua candidatura à Presidência, no ano passado.
Na fala, o presidente não poupou sequer a própria ONU. Em um discurso ideológico, apontou ações que classificou como ameaças à soberania do Brasil. A falar da Amazônia, o mandatário classificou como "falácia" a ideia de que a floresta é um patrimônio da humanidade.
A previsão era que o discurso de Bolsonaro, que se recupera de cirurgia, durasse 20 minutos, mas ele falou ininterruptamente por 31 minutos.
O presidente brasileiro atacou "sistemas ideológicos de pensamento", que segundo ele estariam invadindo escolas, universidades, meios de comunicação e a "família", sob a acusação de tentar subverter o sexo biológico das crianças.
As declarações aparecem à sombra da chamada "ideologia de gênero", expressão que não é reconhecida na comunidade acadêmica, mas vem sendo usada por grupos conservadores e ligados à direita para criticar discussões sobre diversidade sexual e de gênero.
Ataques à imprensa e a autoridades estrangeiras
Ao longo do discurso, Bolsonaro convidou os presentes para visitarem o Brasil e verem com os próprios olhos que o país é bem diferente do que, segundo ele, tem sido relatado pela imprensa.
O presidente justificou as atuais queimadas na Amazônia como um incidente favorecido pelo clima seco e também por práticas da cultura local. "Ela [Amazônia] não está sendo devastada e nem consumida pelo fogo, como diz mentirosamente a mídia. Cada um de vocês pode comprovar o que estou falando agora", declarou Bolsonaro.
Mas dados de diferentes órgãos e entidades apontam para um aumento no número de queimadas na Amazônia pelo menos desde junho deste ano. Em agosto, produtores rurais do Pará organizaram o "dia do fogo", quando incendiaram, em conjunto, áreas da Amazônia.
Também em agosto, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento na Amazônia aumentou 222% em comparação com o mesmo período no ano passado.
Ao defender a soberania do país, Bolsonaro direcionou críticas ao presidente da França, Emmanuel Macron, mesmo sem nomeá-lo. O presidente francês se tornou uma das vozes mais críticas à política ambiental do governo Bolsonaro —desde então, os dois vêm protagonizando duros embates.
Bolsonaro também acusou a mídia de difundir conceitos que, para ele, são mentira.
"É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo"
A fala também foi uma resposta a Macron, que no mês passado falou sobre a opção de internacionalizar a gestão das florestas. Ontem, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o presidente francês disse respeitar a soberania de outros países, mas afirmou que "a França é parte da Amazônia".
Sob o argumento de que a soberania brasileira deve ser protegida, Bolsonaro rebateu críticas e cobranças de lideranças mundiais sobre a política ambiental do seu governo. "Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada", afirmou.
Apesar da fala de Bolsonaro, ao longo da história, o Brasil já desmatou 20% da Floresta Amazônica, segundo relatório da Procuradoria do Meio Ambiente do Ministério Público Federal.
Em mais uma investida contra Macron, mesmo sem nominá-lo, Bolsonaro disse ser um equívoco afirmar que a floresta é o pulmão do mundo. A declaração foi publicada pelo presidente francês em seu Twitter.
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