Polícia

Mulher transexual é assassinada com sete tiros em Rio Largo


Fonte: Gazetaweb

26/10/2020 17h52

A mulher transexual assassinada a tiros, na noite desse domingo (25), na zona rural do município de Rio Largo, é o 15º caso de morte violenta contra a comunidade LGBTQI+ este ano, conforme o Grupo Gay de Alagoas (GGAL). De janeiro a outubro de 2020, já são cinco mulheres trans vítimas de violência em Alagoas.

Joana Domingos era o nome social de João Paulo Domingos da Silva, de 19 anos. Ela foi atingida por sete disparos de arma de fogo às margens da rodovia, na entrada do conjunto Antônio Lins, no bairro Mata do Rolo.

O caso será investigado pelo delegado de homicídios de Rio Largo, Lucimério Campos. Os primeiros levantamentos foram feitos, ainda no local, por uma equipe plantonista, e o inquérito deve ser instaurado nesta semana. A polícia vai ouvir testemunhas para tentar descobrir a motivação e localizar possíveis suspeitos.

O presidente do GGAL, Nildo Correia, lamenta mais uma morte violenta envolvendo o público LGBTQI+, culpando o Estado pela falta de atenção. "Infelizmente, esta violência desenfreada atinge principalmente as minorias. Com 15 pessoas mortas este ano, a estatística revela uma média de mais de um assassinato por mês. Isso só ocorre pela ausência de políticas públicas, que trabalharia a inserção no mercado de trabalho, na escola e cultura".

Segundo ele, boa parte dos crimes não tem identificação do suspeito, comprometendo a investigação. "Em muitos dos casos, não existe nem o suspeito, quanto mais o réu confesso. Esta é a realidade, talvez, pela ausência do aparelhamento público e pela falta de interesse de alguns profissionais", destaca.

Correia diz acreditar que, se for cumprida a promessa de criação de uma delegacia voltada para as populações vulneráveis, o cenário poderá melhorar. "Se bem que o quadro só virá a modificar se a proposta se concretizar, com uma delegacia estruturada e com equipe apta a trabalhar a questão do atendimento a este público".



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