Polícia

Porteiro é preso em panelaço contra Flávio Bolsonaro na Ponta Verde

Segundo a defesa, trabalhador foi acusado de desacato após uma ocorrência envolvendo moradores

Por Redação 17/10/2026 08h08 - Atualizado em 17/10/2026 09h09
Porteiro é preso em panelaço contra Flávio Bolsonaro na Ponta Verde
Panelaços contra Flávio Bolsonaro foram registrados em diferentes cidades - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um porteiro identificado como Edmilson foi detido pela Polícia Militar na noite de sexta-feira (16), no bairro da Ponta Verde, em Maceió, durante um panelaço contra o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o advogado do trabalhador, Matheus Gonzaga, ele foi levado à Central de Flagrantes sob suspeita de desacato e liberado após prestar esclarecimentos.

De acordo com o advogado Matheus Gonzaga, Edmilson trabalhava na portaria de um condomínio quando decidiu se juntar à manifestação, que reunia moradores e outras pessoas da região. A Polícia Militar foi acionada após um princípio de confusão envolvendo residentes de prédios vizinhos.

Segundo a versão apresentada pela defesa, os policiais conversaram com um dos moradores envolvidos e pediram que o porteiro abrisse o portão do condomínio. Como ele demorou a chegar ao local, teria recebido voz de prisão sob acusação de desacato.

Edmilson foi conduzido à Central de Flagrantes, onde a ocorrência também chegou a ser avaliada sob o aspecto de perturbação do sossego. Ele foi liberado após prestar esclarecimentos.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Gonzaga criticou a condução do trabalhador à delegacia e afirmou que pretende acompanhar os desdobramentos do caso.

“Trata-se de uma violação, de um cerceamento da liberdade de expressão e do direito à livre manifestação do senhor Edmilson, que estava em seu posto de trabalho, juntou-se a tantos outros manifestantes e acabou sendo conduzido pela Polícia Militar à Central de Flagrantes”, declarou.

O advogado também afirmou que pretende contestar o que considera uma prática incompatível com a defesa da democracia.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais. No X, antigo Twitter, uma usuária relatou a detenção e questionou a atuação policial: “a polícia simplesmente PRENDEU um porteiro de um prédio daqui pq ele participou do panelaço???????”.

Em uma publicação posterior, a mesma usuária afirmou que moradores do condomínio informaram que Edmilson estava na Central de Flagrantes e que um advogado havia sido enviado para acompanhá-lo.

Panelaços ocorreram em várias cidades


A manifestação ocorreu durante a sabatina de Flávio Bolsonaro na TV Globo, realizada na noite de sexta-feira (16), após a edição do Jornal Nacional. A emissora convidou os dois candidatos à Presidência para entrevistas conduzidas pela jornalista Renata Lo Prete. Na quinta-feira (15), foi a vez do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Registros de panelaços foram divulgados em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Goiânia, Campinas e Salvador.

A mobilização foi convocada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que publicou um chamado nas redes sociais para que apoiadores de Lula batessem panelas durante a entrevista do adversário.

“Pessoal, urgente! Hoje, às 9 horas da noite, o Brasil inteiro, de ponta a ponta, vai bater panela enquanto o nosso adversário, que eu nem falo o nome, estiver dando entrevista lá na Globo. Eu quero que vocês peguem uma colher e batam na panela, mas batam até amassar. Depois, troquem, comprem outra panela, comprem outra colher. Depois vocês dão um jeito. Mas é para bater a colher na panela sem dó!”, convocou o deputado.

Canal de apoiadores de Lula foi alvo de decisão do TSE


Janones também criou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, usado para compartilhar orientações com militantes e eleitores do presidente.

O canal foi suspenso por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A candidatura do PL alegou comportamento inautêntico dos participantes, disseminação de boatos e mobilização para compartilhamento em massa de conteúdos.

Posteriormente, o canal voltou a funcionar, após nova autorização do ministro. Segundo o material de origem, a área técnica do TSE informou não ter identificado, nas mensagens analisadas, as notícias falsas apontadas pela campanha de Flávio.