Polícia
Acusado de executar blogueiro em Junqueiro enfrenta júri nesta segunda
Julgamento será realizado em Maceió; defesa apresenta álibi, enquanto Justiça aponta contradições nos horários e registros telefônicos
Carlos Henrique, de 37 anos, acusado de participar do assassinato do blogueiro Adriano de Farias Firmino Silva, será julgado pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira (5), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.
O crime ocorreu em junho de 2024, no município de Junqueiro, no interior de Alagoas.
Adriano, que tinha 33 anos e publicava conteúdos sobre política nas redes sociais, foi morto a tiros em 18 de junho de 2024, no povoado Retiro, zona rural do município. Ele dirigia um Volkswagen Nivus vermelho quando foi surpreendido pelos criminosos.
Segundo a investigação, um Jeep Compass teria se aproximado do veículo da vítima, momento em que os ocupantes efetuaram os disparos. Mesmo ferido, Adriano ainda conseguiu percorrer aproximadamente 50 metros antes de colidir e parar nas proximidades de sua residência.
Investigação aponta possíveis motivações políticas
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público de Alagoas (MPAL), o assassinato teria sido motivado por questões políticas e divergências pessoais.
Adriano costumava publicar críticas à administração municipal. Os investigadores também identificaram conflitos envolvendo limites de propriedades rurais na região.
Carlos Henrique foi preso em 21 de agosto de 2024, durante uma carreata política em Teotônio Vilela. Na época, ele era contratado pela Prefeitura de Junqueiro para exercer a função de inspetor da Guarda Municipal.
A Justiça manteve a prisão preventiva do acusado ao determinar que ele fosse submetido ao Tribunal do Júri.
Outros dois homens, José Fábio de Lima e Hélio da Silva, chegaram a ser investigados por possível participação na execução, mas foram retirados do processo após as provas produzidas nas audiências não confirmarem os indícios iniciais.
Defesa apresenta álibi para o horário do crime
A defesa de Carlos Henrique nega a participação dele no assassinato e sustenta que o acusado estava em um restaurante no povoado Cadoz, em Limoeiro de Anadia, no momento do crime.
O advogado Rodrigo Aragão afirma que apresentará aos jurados depoimentos de testemunhas e um comprovante de pagamento via Pix, realizado às 16h48, referente ao consumo no estabelecimento.
Entretanto, a Justiça identificou contradições entre os horários apresentados pela defesa e os registros telefônicos reunidos no processo.
Conforme os autos, às 15h56, o celular de Carlos Henrique registrou o envio de uma mensagem informando que ele estava viajando, acompanhada de uma fotografia de uma rodovia feita de dentro de um veículo em movimento.
O assassinato ocorreu por volta das 16h32, enquanto o pagamento apresentado pela defesa foi registrado às 16h48.
A decisão judicial também menciona conversas interceptadas nas quais o acusado discutia com familiares a eliminação de registros de mensagens eletrônicas.
No julgamento desta segunda-feira, os jurados deverão avaliar as provas e os argumentos da acusação e da defesa para decidir sobre a responsabilidade de Carlos Henrique pela morte de Adriano Farias.
