Polícia

Saiba como caderno de traficante levou à suspeito em cobertura de luxo

Segundo a investigação, suspeito mantinha ligação com integrantes do Comando Vermelho

Por Redação 22/09/2026 15h03
Saiba como caderno de traficante levou à suspeito em cobertura de luxo
Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como “Boss”, foi preso em Maceió - Foto: Reprodução/PC-AL

Anotações atribuídas ao traficante Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como “My Thor”, ajudaram a polícia a chegar até Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o “Boss”, preso em uma cobertura de luxo em Maceió. Segundo as investigações, os registros detalhavam pagamentos feitos por My Thor ao suspeito.

A prisão de “Boss” ocorreu nessa segunda-feira (21), em Maceió, durante a Operação Ícaro, deflagrada para investigar uma estrutura ligada ao Comando Vermelho que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, atuava no transporte de drogas entre São Paulo e o Rio de Janeiro e na lavagem de dinheiro.

A investigação começou a partir do monitoramento de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o “My Thor”, apontado pelas autoridades como integrante da organização criminosa. Mesmo preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, ele teria mantido contato com outros integrantes do esquema.

De acordo com a Corregedoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro, as anotações encontradas detalhavam diversos pagamentos feitos por My Thor a Laércio.

NEGOCIAÇÕES A PARTIR DE COBERTURA


Segundo as investigações, “Boss” controlava operações relacionadas à compra e venda de drogas e à movimentação financeira do grupo a partir do próprio apartamento em Maceió.

"Ele controla com mão de ferro a atuação desse grupo. É interessante dizer que ele também faz tudo isso do alto de sua cobertura em um prédio de luxo em Alagoas. De lá, ele conseguia negociar o fornecimento e a venda de entorpecentes, o recolhimento de valores respectivos e a ocultação desse patrimônio", explicou Alexandre Capote, corregedor-geral da Polícia Civil do RJ.

A apuração também identificou a participação de agentes públicos do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público, um policial civil teria atuado na movimentação de uma quantia milionária durante dois anos, enquanto dois policiais militares também foram alvos de mandados de prisão.

"O policial civil fazia parte dessa articulação, então ele fazia a ligação entre a origem da droga e sua distribuição no Rio de Janeiro e nos outros estados. Já os policiais militares, atuavam na parte de logística, supervisionando a parte operacional nas ruas, por exemplo, escolta de cargas e dos criminosos, além da segurança armada desse grupo", citou Décio Alonso, promotor de Justiça.

PM É PRESO DENTRO DE HOSPITAL


Um dos policiais militares alvo da operação seria um segundo sargento lotado no Batalhão do Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste do Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, ele foi preso enquanto trabalhava em um hospital público na Barra da Tijuca.

A operação também identificou empresas dos setores de transporte e logística que, de acordo com os investigadores, teriam sido utilizadas para ocultar recursos e viabilizar o transporte de drogas para diferentes estados.

“BOSS” É APONTADO COMO ELO ENTRE FACÇÕES


A investigação aponta que Laércio Isidoro, o “Boss”, exercia uma função de ligação entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho.

Segundo a polícia, ele teria participado da articulação para viabilizar o envio de grandes carregamentos de cocaína de São Paulo para comunidades controladas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

Entre os investigados está novamente Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o “My Thor”, que, segundo as autoridades, participava das negociações mesmo estando preso.

Outro nome citado na investigação é o do policial civil Paulo Rafael Fernandes. Segundo os investigadores, ele utilizava uma empresa para realizar pagamentos relacionados às cargas de cocaína enviadas de São Paulo ao Rio.

O policial já havia sido abordado pelas autoridades em abril deste ano, no Amazonas, próximo à fronteira com a Colômbia, quando estava em um avião fretado.

Nesse contexto, “Boss” é apontado pelos investigadores como o elo que conectava My Thor e Paulo Rafael, permitindo a articulação logística e financeira investigada na Operação Ícaro.