Polícia

Conselho de Direitos Humanos denuncia truculência em abordagem policial

Conselho de Direitos Humanos classificou a ação como fora dos procedimentos de abordagem

Por Redação 22/09/2026 13h01
Conselho de Direitos Humanos denuncia truculência em abordagem policial
O caso será levado à Corregedoria da Polícia Militar para investigação - Foto: Reprodução

Uma ocorrência policial motivada por uma denúncia de som alto terminou em uma denúncia de truculência contra os militares envolvidos, em Ouro Branco, no interior de Alagoas. Um vídeo registrado por uma das vítimas mostra o momento em que um policial aborda e agride um homem, enquanto outro militar tenta impedir que a ação seja filmada.

O vídeo foi gravado no último dia 17 e também mostra um policial ordenando que um segundo homem interrompesse a gravação da ocorrência.

“Apague, baixe o celular agora”, ordena o policial, contrariado com o fato da ação estar sendo registrada.

Conforme o relato das vítimas, após a denúncia de som alto, o volume teria sido reduzido. Mesmo assim, os policiais teriam chegado ao local de forma truculenta, dando início às agressões.

Mirabel Alves, do Conselho Estadual de Direitos Humanos, lamentou o episódio e informou que o caso será encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar para que os agentes envolvidos sejam investigados.

“Nós sabemos que essa abordagem está totalmente fora das regras, dos procedimentos militares e fere totalmente as garantias de proteção à pessoa, que estão na Constituição. O policial é treinado para uma abordagem humanizada, mas o que vemos nas imagens é uma abordagem completamente diferente, com uso de força desnecessária. Por essa razão, defendemos o uso das câmeras corporais. Elas agem não somente em favor da sociedade, mas também a favor do policial”, pontua, acrescentando confiar na ação da Corregedoria.

Mirabel também afirmou confiar na apuração por parte do comando da corporação.

“Temos a certeza de que o comando vai apurar esse abuso de autoridade”, disse.

O membro do Conselho também afirmou que não houve infração por parte do homem que registrava a abordagem. Segundo ele, a gravação, por si só, não configuraria desacato.

“Não há um desacato ali. O cidadão responde que está apenas fazendo uma filmagem por estar vendo algo fora da normalidade”, complementa Mirabel, sobre a ordem para que a segunda vítima deixasse de gravar o episódio.

A Polícia Militar foi procurada para se manifestar sobre a ocorrência e as acusações apresentadas, mas não havia respondido até a publicação desta matéria.