Polícia

Falsa identidade, reconhecimento facial e portas arrombadas: o esquema por trás dos furtos na Ponta Verde

Investigação aponta que criminosos se cadastravam como moradores para entrar em condomínios de luxo e esperavam imóveis ficarem vazios

Por Redação 21/09/2026 16h04 - Atualizado em 21/09/2026 16h04
Falsa identidade, reconhecimento facial e portas arrombadas: o esquema por trás dos furtos na Ponta Verde
Quadrilha que furtava apartamentos na Ponta Verde - Foto: Reprodução/internet

O que parecia ser uma entrada comum de morador em um condomínio de alto padrão escondia, segundo a Polícia Civil, uma estratégia usada por uma quadrilha para chegar até apartamentos de luxo em Maceió. Os suspeitos criavam cadastros fraudulentos e utilizavam reconhecimento facial para passar pelos sistemas de segurança dos prédios.

A investigação começou depois que apartamentos da Ponta Verde foram alvo de furtos. Dois casos são apurados pela polícia, um deles ocorrido em 15 de agosto e outro registrado neste último fim de semana.

A apuração revelou que os criminosos não precisavam necessariamente vencer barreiras físicas para entrar nos edifícios. A estratégia, segundo a delegada Bárbara Porto, era explorar o próprio sistema de acesso dos condomínios.

Os investigados, que seriam de São Paulo, faziam registros em seus próprios nomes e forneciam imagens para o reconhecimento facial. Dessa forma, conseguiam circular pelos prédios sem levantar suspeitas inicialmente.

Apartamentos eram observados antes da invasão

Depois de entrar no condomínio, a quadrilha ainda precisava descobrir quais imóveis estavam vazios.

Para isso, os suspeitos batiam nas portas dos apartamentos. A reação dos moradores ajudava a indicar se havia alguém dentro. Quando não havia resposta, o imóvel passava a ser um possível alvo.

A partir daí, os criminosos arrombavam a porta e procuravam objetos de maior valor, incluindo joias e bolsas de luxo.

A polícia acredita que a ausência dos moradores era fundamental para que os suspeitos tivessem tempo suficiente para vasculhar os apartamentos.

“Num primeiro momento, a gente consegue ver que eles conseguem bater nos apartamentos para ver se tem pessoas residindo naqueles momentos ou não”, explicou Bárbara Porto.

Segundo a delegada, essa verificação também permitia que os criminosos procurassem cofres e outros locais onde objetos de valor poderiam estar guardados.

Primeiro furto ajudou polícia a identificar grupo

Após o crime registrado em agosto, os investigadores conseguiram identificar e qualificar alguns dos envolvidos. A partir daí, a Polícia Civil passou a acompanhar o grupo e reuniu informações que ajudaram a chegar aos suspeitos.

Mesmo durante o andamento da investigação, um novo furto foi registrado na Ponta Verde. Dessa vez, os policiais já tinham conhecimento sobre a possível atuação da quadrilha e mandados relacionados ao caso.

As diligências resultaram na prisão de dois suspeitos.

Um deles foi localizado em Feira de Santana, na Bahia, por possível envolvimento no primeiro furto. A polícia também apreendeu um veículo que teria sido usado na ocorrência mais recente.

Joias e bolsas foram recuperadas

Parte dos objetos levados no segundo crime foi encontrada pelos investigadores. Entre os materiais recuperados estão bolsas de luxo e joias.

Para a Polícia Civil, a repetição do modo de atuação indica que os crimes podem estar ligados ao mesmo grupo.

A investigação, porém, ainda não terminou. Outros dois possíveis integrantes são procurados, enquanto os policiais continuam apurando a participação de cada suspeito nos furtos registrados em Maceió.