Polícia

Caso Davi: TJAL julga recurso de PMs condenados a mais de 100 anos

Defesa dos quatro policiais tenta reverter condenação pelo desaparecimento do adolescente, ocorrido há 12 anos no Benedito Bentes

Por Esther Barros 26/08/2026 07h07
Caso Davi: TJAL julga recurso de PMs condenados a mais de 100 anos
. - Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) julga nesta quarta-feira (26) o recurso apresentado pela defesa de quatro policiais militares condenados pelo caso envolvendo o desaparecimento de Davi da Silva, de 17 anos. As penas impostas aos réus somam mais de 100 anos de prisão em regime fechado. 

Davi foi visto pela última vez em 25 de agosto de 2014, quando era colocado em uma viatura da Rádio Patrulha, no Conjunto Cidade Sorriso I, no Benedito Bentes, em Maceió. Desde então, o corpo do adolescente nunca foi localizado. 

Os quatro policiais foram condenados pelo Tribunal do Júri em maio deste ano. Agora, a defesa busca modificar ou anular o resultado do julgamento. O Ministério Público de Alagoas, por sua vez, defende a manutenção da condenação e afirma que o veredito foi sustentado por provas apresentadas durante o processo. 

Entre os elementos utilizados na acusação estão registros de telefonia, depoimentos de testemunhas e o reconhecimento feito por uma pessoa que estava com Davi no momento da abordagem. Segundo o Ministério Público, os dados das antenas de telefonia colocaram um dos aparelhos utilizados pelos policiais na região próxima ao local da abordagem em horário que contrariaria a versão apresentada pelos acusados. 

O jovem Raniel Oliveira Silva estava com Davi quando os dois foram abordados. Ele acabou sendo liberado e posteriormente participou de um procedimento de reconhecimento, no qual identificou os quatro policiais apontados pela acusação como integrantes da guarnição envolvida na ocorrência. O procedimento foi registrado em vídeo e incorporado ao processo. 

Testemunhas também relataram ter visto Davi sendo colocado em uma viatura caracterizada da Rádio Patrulha. Durante os depoimentos, foram mencionados símbolos presentes no veículo, incluindo a figura de um pit bull, identificação que teria sido confirmada pelo então comandante do batalhão. 

Para o Ministério Público, a condenação resultou da convergência entre as provas técnicas e testemunhais apresentadas aos jurados. O órgão sustenta ainda que a Constituição garante a soberania das decisões do Tribunal do Júri e defende que o resultado seja preservado quando estiver respaldado pelo conjunto probatório. 

O julgamento do recurso nesta quarta-feira deverá definir se a condenação dos quatro policiais será mantida ou se haverá alteração na decisão tomada pelo Tribunal do Júri.