Polícia
Bebê de 18 dias morre com suspeita de chikungunya em São Miguel dos Campos
Pai relata que a filha teve falência múltipla de órgãos e a pele "em carne viva". Cidade já registrou outras duas mortes pela doença no último mês
Uma recém nascida morreu nessa quarta (8), em São Miguel dos Campos, no interior de Alagoas, depois de apresentar falência múltipla de órgãos. A menina tinha apenas 18 dias de vida. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a suspeita é de que ela tenha contraído chikungunya ainda dentro do útero, já que a mãe foi infectada pela doença durante a gravidez. O parto foi feito num hospital da rede privada da cidade, e o sepultamento aconteceu nesta quinta (9).
O pai da criança deu um relato ao TNH1 que mostra o tamanho da dor dessa família. Segundo ele, os 18 dias de vida da filha foram "uma luta vencida pela falta de solução". "Uma coisa devastadora. A mãe foi diagnosticada e, possivelmente, houve a transmissão. Está sendo visto como um caso agressivo", contou.
Ele também descreveu que, além da falência múltipla de órgãos, a pele da menina chegou a ficar "em carne viva", resultado de complicações da doença. Até o momento, não há confirmação se foi feito teste específico na bebê pra confirmar a infecção.
Vale entender por que esse tipo de caso é tão grave. Estudos mostram que a chikungunya pode ser transmitida da mãe pro bebê durante a gravidez, principalmente quando a infecção acontece próxima do parto. Quando isso acontece, o risco de o recém-nascido também contrair o vírus pode chegar a 50%, e cerca de 90% desses casos evoluem pra formas mais graves da doença.
Uma cidade que já sofre com a doença
Esse não é um caso isolado em São Miguel dos Campos. No mês passado, mãe e filha morreram por complicações da chikungunya com um intervalo de apenas 34 dias entre uma morte e outra. Rubenita Lins dos Santos, de 60 anos, faleceu em 30 de maio. A filha dela, Crisleine Lins dos Santos, deu entrada no Hospital Helvio Auto em 23 de junho e morreu no último sábado (4), depois que o quadro clínico se agravou bastante. Segundo o relatório médico, ela desenvolveu, além da chikungunya, pressão baixa, infecção bacteriana e falência múltipla de órgãos durante a internação.
Crisleine era servidora do município, e a Secretaria de Saúde lamentou a morte dela, reforçando que segue com ações de combate ao mosquito na cidade, incluindo visitas domiciliares, aplicação de larvicidas e recolhimento de materiais que possam acumular água parada.
O que mostram os números do estado
A Secretaria de Estado da Saúde divulgou nessa quarta o panorama mensal das arboviroses em Alagoas, com dados de 1º de janeiro a 8 de julho deste ano. No período, foram registrados 3.042 casos prováveis de dengue, com dois óbitos confirmados. Já a Zika teve 38 casos prováveis, sem nenhuma morte registrada. E a chikungunya somou 910 casos prováveis e uma morte no período. O boletim é atualizado a cada quinze dias pela pasta.

