Polícia

Cabo da PM é investigada por furtar colega em batalhão de AL

Policial suspeita de usar cartões da vítima em compras após furto dentro do alojamento feminino do 9º BPM, em Delmiro Gouveia

Por Esther Barros 11/06/2026 07h07
Cabo da PM é investigada por furtar colega em batalhão de AL
. - Foto: Reprodução

 A Corregedoria da Polícia Militar de Alagoas instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a conduta da cabo Daiana Rocha, suspeita de furtar pertences de uma colega de farda dentro do 9º Batalhão da PM, em Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano. 

O caso ocorreu em dezembro de 2025 e envolve o desaparecimento de uma carteira funcional e cartões bancários pertencentes a outra policial militar.

Segundo as investigações, vítima e suspeita estavam de serviço no mesmo dia e dividiam o alojamento feminino da unidade. A policial que denunciou o caso afirmou que percebeu o sumiço dos objetos ao se preparar para retornar a Maceió. Ela informou ainda que a bolsa permaneceu sem vigilância apenas durante o horário de almoço e enquanto dormia, já que o alojamento não contava com armários individuais.

Horas depois pouco antes das 6h da manhã, a vítima recebeu notificações de movimentações bancárias não reconhecidas. As compras realizadas no cartão de débito somaram R$ 450, distribuídas em três transações consecutivas.

A apuração da Polícia Civil identificou que os valores foram direcionados para uma conta vinculada à plataforma InfinitePay. Embora o cadastro estivesse em nome de uma mulher residente em Minas Gerais, um dos e-mails associados à conta chamou a atenção dos investigadores: “[email protected]”.

Com autorização judicial e diligências técnicas, a polícia constatou que o endereço eletrônico estaria ligado à cabo investigada. O e-mail possuía número de recuperação com prefixo 82, o mesmo utilizado pela policial como chave Pix em uma conta bancária pessoal.

O relatório também aponta que o telefone associado ao cadastro já esteve registrado em nome da avó materna da suspeita e aparece vinculado a aplicativos de entrega utilizados por ela. Além disso, o número teria sido citado em ocorrências anteriores registradas por ex-companheiras da militar.

Outro ponto destacado na investigação é o horário das transações. Conforme depoimento do oficial de dia do 9º BPM, a cabo solicitou saída antecipada do plantão alegando necessidade de embarcar em um transporte para a Bahia entre 6h e 6h30. As compras contestadas começaram a ser efetuadas às 5h58, minutos antes do horário informado pela policial.

A ficha funcional da investigada também passou a ser analisada pelas autoridades. Documentos anexados ao inquérito indicam registros anteriores na Bahia relacionados a supostos casos de estelionato. Em uma das denúncias, uma vítima afirma ter sofrido prejuízo superior a R$ 18 mil após transferências realizadas por meio de perfis falsos.

Diante dos indícios reunidos, a autoridade militar solicitou apoio da Polícia Militar de Minas Gerais para ouvir a mulher que aparece formalmente como titular da conta utilizada nas transações. A suspeita é de que os dados tenham sido usados por terceiros ou que a conta tenha servido como intermediária para ocultar a origem das movimentações financeiras.

A cabo Daiana  poderá responder, em tese, pelos crimes de furto qualificado, estelionato e prevaricação. 

O caso segue em investigação pela Corregedoria da PM e pela Polícia Civil.