Polícia
Cabo da PM é investigada por furtar colega em batalhão de AL
Policial suspeita de usar cartões da vítima em compras após furto dentro do alojamento feminino do 9º BPM, em Delmiro Gouveia
A Corregedoria da Polícia Militar de Alagoas instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a conduta da cabo Daiana Rocha, suspeita de furtar pertences de uma colega de farda dentro do 9º Batalhão da PM, em Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano.
O caso ocorreu em dezembro de 2025 e envolve o desaparecimento de uma carteira funcional e cartões bancários pertencentes a outra policial militar.
Segundo as investigações, vítima e suspeita estavam de serviço no mesmo dia e dividiam o alojamento feminino da unidade. A policial que denunciou o caso afirmou que percebeu o sumiço dos objetos ao se preparar para retornar a Maceió. Ela informou ainda que a bolsa permaneceu sem vigilância apenas durante o horário de almoço e enquanto dormia, já que o alojamento não contava com armários individuais.
Horas depois pouco antes das 6h da manhã, a vítima recebeu notificações de movimentações bancárias não reconhecidas. As compras realizadas no cartão de débito somaram R$ 450, distribuídas em três transações consecutivas.
A apuração da Polícia Civil identificou que os valores foram direcionados para uma conta vinculada à plataforma InfinitePay. Embora o cadastro estivesse em nome de uma mulher residente em Minas Gerais, um dos e-mails associados à conta chamou a atenção dos investigadores: “[email protected]”.
Com autorização judicial e diligências técnicas, a polícia constatou que o endereço eletrônico estaria ligado à cabo investigada. O e-mail possuía número de recuperação com prefixo 82, o mesmo utilizado pela policial como chave Pix em uma conta bancária pessoal.
O relatório também aponta que o telefone associado ao cadastro já esteve registrado em nome da avó materna da suspeita e aparece vinculado a aplicativos de entrega utilizados por ela. Além disso, o número teria sido citado em ocorrências anteriores registradas por ex-companheiras da militar.
Outro ponto destacado na investigação é o horário das transações. Conforme depoimento do oficial de dia do 9º BPM, a cabo solicitou saída antecipada do plantão alegando necessidade de embarcar em um transporte para a Bahia entre 6h e 6h30. As compras contestadas começaram a ser efetuadas às 5h58, minutos antes do horário informado pela policial.
A ficha funcional da investigada também passou a ser analisada pelas autoridades. Documentos anexados ao inquérito indicam registros anteriores na Bahia relacionados a supostos casos de estelionato. Em uma das denúncias, uma vítima afirma ter sofrido prejuízo superior a R$ 18 mil após transferências realizadas por meio de perfis falsos.
Diante dos indícios reunidos, a autoridade militar solicitou apoio da Polícia Militar de Minas Gerais para ouvir a mulher que aparece formalmente como titular da conta utilizada nas transações. A suspeita é de que os dados tenham sido usados por terceiros ou que a conta tenha servido como intermediária para ocultar a origem das movimentações financeiras.
A cabo Daiana poderá responder, em tese, pelos crimes de furto qualificado, estelionato e prevaricação.
O caso segue em investigação pela Corregedoria da PM e pela Polícia Civil.


