Polícia
Saiba como vivia o maior assaltante de bancos do Brasil antes de morrer em AL
Paulo Donizete Siqueira de Souza ostentava rotina confortável em casa de praia de alto padrão na Praia do Francês; imóvel com piscina ainda tem marcas de sangue e tiros
Uma casa de praia de alto padrão, situada em uma rua pacata e cercada por imóveis residenciais de classe média-alta na badalada Praia do Francês, em Marechal Deodoro. Foi neste cenário de aparente calmaria que Paulo Donizete Siqueira de Souza, conhecido no mundo do crime como "Vírus" — apontado pelas agências de inteligência como o maior assaltante de bancos e carros-fortes do Brasil —, passou seus últimos dias antes de ser morto em um confronto com a polícia alagoana no último fim de semana.
Nesta segunda-feira (1º), uma reportagem da TV Pajuçara esteve no local e constatou que a fachada da residência ainda ostentava os vestígios do tiroteio, com marcas de tiros e manchas de sangue espalhadas. Imagens aéreas capturadas pelo PajuDrone revelaram que o imóvel, que permanece habitado, dispõe de uma estrutura confortável, equipada com piscina e uma ampla área verde. A Polícia Civil de Alagoas ainda tenta precisar de quanto tempo o assaltante estava residindo no litoral alagoano, mas a principal linha de investigação de suspeitas de que ele teve desembarcado no estado há cerca de dois meses, logo após deixar o Ceará.
A operação de sábado (30) encerrou uma trajetória criminosa que já durou mais de duas décadas em diversas regiões do território nacional. O "Vírus" acumulou extensas passagens policiais por estados como São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará, respondendo por crimes de extrema gravidade, como latrocínio, sequestro e cárcere privado, roubo qualificado, recepção e associação criminosa.

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), Paulo Donizete foi considerado um dos principais articuladores das modalidades criminosas conhecidas como "novo cangaço" e "domínio de cidades". Suas ações foram descritas pelo planejamento minucioso de invasões a municípios do interior, uso de armamento pesado com estratégia de caráter paramilitar para sitiar forças policiais e o trabalho frequente de explosivos para destruir caixas eletrônicas e cofres de empresas de transporte de valores.
Além de sua periculosidade nas ruas, o assaltante tinha em seu histórico fugas de unidades prisionais de segurança máxima, o que permitiu que ele passasse longos períodos foragidos da Justiça e figurasse na lista dos criminosos mais procurados do país.
O paradeiro do assaltante em solo alagoano foi descoberto após um trabalho integrado que envolveu a Diretoria de Inteligência da Polícia Militar de Alagoas (Dint), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/AL) e a Divisão de Repressão a Crimes contra o Patrimônio da Polícia Federal (PF).
De acordo com o relatório oficial da SSP, as equipes identificaram a presença da violência e, ao notar a aproximação dos agentes de segurança para a abordagem neste sábado, o “Vírus” reagiu de imediato efetuando disparos contra os policiais. No confronto que se seguiu, o assaltante acabou sendo atingido e morreu no local.


