Polícia
Laudo descarta falha mecânica em acidente com ônibus em Tapera
Perícia apontou perda de controle do veículo como causa provável de capotamento que matou 16 romeiros na AL-220
O Instituto de Criminalística de Arapiraca (ICA) divulgou nessa segunda-feira (9) o laudo final sobre o acidente envolvendo um ônibus de romeiros ocorrido na rodovia AL-220, no município de São José da Tapera, no Sertão de Alagoas. O documento concluiu que não houve falha mecânica no veículo nem evidências de que o capotamento tenha sido provocado por velocidade excessiva.
O ônibus transportava fiéis que retornavam da romaria em Juazeiro do Norte, no Ceará, quando saiu da pista e capotou no trecho conhecido como Povoado Caboclo. O acidente resultou na morte de 16 pessoas e mobilizou equipes de perícia da Polícia Científica de Alagoas.
De acordo com o laudo, assinado pelos peritos criminais Gerard Deokaran e Rafaela Jansons, as primeiras análises já haviam afastado a hipótese de defeito estrutural ou mecânico no ônibus. Para reforçar a investigação, foi solicitado um exame complementar ao Instituto de Criminalística de Maceió, que também confirmou a inexistência de falhas no veículo.
“Analisamos a cena antes da saída da curva, o raio da curvatura e todos os elementos que auxiliam na compreensão da dinâmica do acidente. Após investigações minuciosas, concluímos que o veículo não apresentava falhas”, explicou o perito Gerard Deokaran.
A perícia também examinou o cronotacógrafo - equipamento responsável por registrar velocidade, tempo e distância percorrida. Inicialmente, os investigadores identificaram uma divergência entre os dados do aparelho e os vestígios encontrados no local do acidente.
Após uma análise técnica mais detalhada, foi constatado que havia uma diferença na escala do disco utilizado no equipamento. Com o apoio da equipe de trânsito do instituto da capital, os peritos realizaram a correção dos dados para chegar à velocidade real do veículo.
Segundo Deokaran, o ônibus trafegava a cerca de 100 km/h no momento do acidente, enquanto o limite permitido na via é de 90 km/h. Apesar disso, a velocidade ainda estava abaixo do limite crítico da curva analisada.
“O cálculo baseado na física do movimento mostrou que a velocidade crítica para aquele trecho seria de aproximadamente 138 km/h. Portanto, o excesso de velocidade não foi o fator determinante para o capotamento”, afirmou o perito.

Perda de controle direcional
Com base nas análises da cena e nos dados coletados, os peritos concluíram que a causa mais provável do acidente foi a perda do controle direcional do veículo.
“Após o estudo da cena e dos equipamentos, concluímos que houve perda do controle direcional, o que provocou a instabilização do ônibus e a saída de sua trajetória”, completou Deokaran.
Com a finalização do laudo técnico pela Polícia Científica, o caso agora segue sob responsabilidade da Polícia Civil de Alagoas, que continuará a investigação para apurar eventuais responsabilidades criminais relacionadas ao acidente.

