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Rio Grande do Norte sediará supercomputador brasileiro de inteligência artificial

O edital público de concorrência para a compra do supercomputador será publicado no Diário Oficial da União (DOU), segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

Por Agência Brasil 21/08/2026 16h04
Rio Grande do Norte sediará supercomputador brasileiro de inteligência artificial

O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na região metropolitana de Natal, foi escolhido para abrigar o novo supercomputador de inteligência artificial (IA) que será adquirido pelo governo federal ao custo de pouco mais de R$ 1 bilhão.

O edital público de concorrência para a compra do supercomputador será publicado no Diário Oficial da União (DOU), segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os recursos são provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

A infraestrutura deverá alcançar 7.200 petaflops, cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo. Petaflop é uma unidade usada para medir a capacidade de processamento de supercomputadores, sendo equivalente a 1 quatrilhão de operações por segundo.

Para efeito de comparação, o supercomputador mais potente do país atualmente é o Santos Dumont, instalado no Rio de Janeiro, que opera com 27 petaflops. Assim, a nova máquina será mais de 250 vezes mais poderosa.

A capacidade do novo equipamento estará disponível para empresas, universidades, instituições científicas e governos, permitindo o treinamento de modelos, pesquisa e desenvolvimento de aplicações de IA. A operação será conduzida pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

O objetivo é impulsionar pesquisa, inovação, novos produtos, serviços e negócios por meio da maior capacidade computacional já disponível no Brasil.

"A gente vai reduzir nossa dependência. Sessenta por cento de tudo que é processado da inteligência brasileira é feito fora, e agora vamos poder processar aqui", destacou a ministra Luciana Santos, do MCTI, acrescentando que o supercomputador estará entre os 10 mais potentes do planeta.

Segundo a ministra, o edital prevê contrapartidas como transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros, com meta de capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos.

A medida integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que reúne ações para ampliar a infraestrutura tecnológica do país, formar profissionais, promover transferência de tecnologia e fortalecer a governança e a soberania digital.

"Nós vamos provar que os brasileiros, nossos acadêmicos e a juventude, não devem nada a ninguém. Só precisam de oportunidade, é isso que queremos garantir com o supercomputador", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o evento de anúncio do novo equipamento.

A escolha pelo Nordeste foi motivada pelo compromisso de reduzir desigualdades regionais no setor tecnológico e pela abundância de energia renovável. O Rio Grande do Norte é líder nacional em produção de energia eólica.

Chips de código aberto

Outra iniciativa anunciada é o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta RISC-V, visando reduzir a dependência de arquiteturas proprietárias. O projeto envolve parceria com cerca de 70 países e previsão de 10 a 15 anos de desenvolvimento.

De acordo com o MCTI, essa frente será conduzida pelo Instituto Eldorado, de Campinas (SP), em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha, buscando ampliar o domínio brasileiro sobre tecnologias críticas para a computação de alto desempenho e IA.

Transferência tecnológica

Outra cooperação tecnológica envolverá uma infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em parceria com as chinesas Huawei e Iflytek.

A iniciativa pretende ampliar a capacidade de processamento com transferência de tecnologia, parcerias de pesquisa e desenvolvimento, formação de profissionais e desenvolvimento de uma pilha de software soberana.

Também está previsto o desenvolvimento de um modelo de linguagem de grande escala (LLM) nacional e de modelos de IA em português, permitindo criar soluções mais adequadas ao idioma, aos dados e às necessidades brasileiras. O investimento público estimado é de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos, com início das operações previsto para julho de 2027.

Em julho, o governo brasileiro assinou o documento de criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), sediada em Xangai, na China. O objetivo é desenvolver uma governança global de IA por meio de modelos de código aberto, que permitam a apropriação da tecnologia por qualquer empresa ou organização.

Nuvem brasileira

O evento no RN também marcou a assinatura de um acordo de cooperação entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estruturação de um projeto que visa criar uma alternativa brasileira para armazenamento e processamento de dados e sistemas.

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