Nacional
22 cães desaparecem após serem levados para abrigo em Pernambuco
Tutores afirmam que encontraram dificuldades para recuperar os animais deixados no local
Um grupo de protetores de animais denunciou o desaparecimento de ao menos 22 cães que haviam sido levados para uma instituição de acolhimento em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Segundo a defesa de três tutores, os animais foram deixados no local enquanto permaneciam sob cuidados temporários, mas parte deles não foi encontrada quando os responsáveis tentaram recuperá-los.
De acordo com a advogada Anaís Araújo, que representa os tutores, os relatos sobre o desaparecimento começaram a chegar no início de abril. Segundo ela, os responsáveis pelos animais também passaram a relatar suspeitas de maus-tratos e dificuldades para obter informações sobre o paradeiro dos cães.
“Essas histórias chegaram para mim no começo de abril. Com o passar do tempo, começaram relatos de animais que estavam sumindo. As pessoas procuravam saber e não tinham respostas. Ou então, quando tinha algum tipo de resposta, era: ‘foi adotado’. Sim, mas foi adotado por quem? E começavam a mandar fotos dos animais, e as pessoas começaram a desconfiar que eram imagens com IA.”
A advogada afirmou que os tutores pagavam valores mensais para manter os animais no lar temporário, enquanto aguardavam uma adoção definitiva. Segundo ela, os pagamentos variavam entre R$ 400 e R$ 600 por animal.
O caso é investigado pela Polícia Civil sob segredo de Justiça. Por esse motivo, a defesa informou não poder divulgar detalhes sobre a investigação.
A instituição mencionada nas denúncias é a Pet Help Recife, que possui uma unidade no bairro de Piedade, onde foram registrados os casos relatados pelos protetores, e outra em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Tutora afirma que não recebeu todos os animais
Um dos casos relatados pela defesa envolve uma protetora que teria deixado 34 cães na instituição. Após surgirem as denúncias de maus-tratos, ela tentou retirar os animais, mas, segundo a advogada, recebeu apenas 20.
A tutora pagava cerca de R$ 15 mil por mês para manter os cães no local, conforme o relato da defesa.
“Quando ela foi tirar os animais, primeiro encontrou uma burocracia imensa, porque não queriam permitir. Disseram que precisava marcar, foi uma confusão. Quando conseguiu fazer a retirada, em abril, devolveram apenas 20 animais. Ela perguntou: ‘Onde estão os meus outros animais? Eu quero os meus outros animais’. Aí começou toda essa questão.”
Outra tutora teria deixado nove animais no abrigo e desembolsava aproximadamente R$ 5 mil mensais. Segundo a advogada, apenas um dos cães foi retirado.
Ainda conforme o relato, o animal apresentava baixo peso quando retornou para a tutora.
“Quando esse cachorro voltou, ele estava magro. E ele não foi entregue daquele jeito ao local. Então começaram a surgir outras situações, e as denúncias passaram a aparecer.”
A defesa também afirma que alguns responsáveis receberam respostas ríspidas ao questionarem sobre os animais.
“Quando as pessoas costumavam questionar, ela esculhambava todo mundo. E tudo o que dizia era: ‘o jurídico vai tomar conta’.”
Procurada sobre o caso, a Polícia Civil informou apenas que tomou conhecimento das denúncias e está adotando as providências necessárias. A corporação não detalhou quantos boletins foram registrados, qual unidade conduz a apuração ou se há inquérito concluído.
Pet Help Recife nega acusações
A responsável pela casa de acolhimento, Rebeca Souza, negou as acusações e afirmou que a instituição está tomando medidas legais.
“Eu tenho duas unidades e 11 anos de história. Nunca me envolvi com ONG, nem com protetor, nem com nada. Sempre fui uma pessoa independente, que cuidou dos animais sozinha. É muito triste para mim ter que estar dando uma explicação referente sobre isso, de uma coisa que é totalmente inverdade.”
Sobre os animais que os tutores afirmam não ter conseguido recuperar, Rebeca declarou que atualmente não há nenhum cão cujo responsável tenha solicitado a devolução.
Segundo ela, alguns animais foram entregues aos responsáveis e outros acabaram sendo adotados. A responsável também afirmou que possui registros relacionados aos processos de adoção.
“Houve essa entrega. Os que estão solicitando, nunca foram à Pet Help visitar esses animais. Eu sempre tive absoluto controle de fazer o que quiser, uma cirurgia, uma doação, tudo. Nunca tive um contrato sequer com uma dessas pessoas que eu considerava amigas. E foram entregues, sim, os animais. Alguns foram doados. Ainda tentei mostrar o termo de adoção, visita, tudo.”
Rebeca também contestou a informação sobre os pagamentos. De acordo com ela, os valores não correspondiam a mensalidades previstas em contratos, mas a doações destinadas às despesas dos animais, como alimentação, vacinação e castração.
“Elas faziam uma doação. Quando elas pagam mensalidade, é quando a gente faz um contrato, feito eu tenho com empresas. Elas faziam doações simbólicas que se referiam à alimentação, à vacina, à castração… Era um valor entre R$ 400 e R$ 300 por mês em que estava incluso tudo.”
A responsável pela instituição afirmou ainda ter procurado a Polícia Civil e registrado um boletim de ocorrência na Delegacia de Boa Viagem na terça-feira (11).
“Eu fiz hoje porque eu estou há sete meses nisso e eu achei que era uma coisa comercial que queriam fazer. Mas chegou num nível tão alto que infelizmente o meu jurídico disse ‘Rebeca, você vai ter que fazer alguma coisa’.”
Até a última atualização, não havia sido informado em qual tipo de delito o boletim registrado pela responsável pela Pet Help Recife foi enquadrado.
