Nacional

São Paulo reforça campanha de vacinação contra o sarampo após novos casos

23 casos de sarampo no estado de São Paulo

Por Agência Brasil 12/08/2026 16h04
São Paulo reforça campanha de vacinação contra o sarampo após novos casos

Com a confirmação de 23 casos de sarampo no estado de São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) reforça a importância da vacinação para a população de 6 meses a 59 anos residente nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A imunização está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e é fundamental que todos se vacinem.

“Dos 23 casos confirmados, dois são importados e os demais estão relacionados à importação, embora a fonte de infecção ainda não tenha sido identificada. Até o momento, 16 pacientes não tinham histórico de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto”, ressalta a SES-SP.

Segundo a secretaria, a vacinação indiscriminada nesses municípios tem o objetivo de reduzir o risco de disseminação da doença. Para quem vai se deslocar temporariamente para São Paulo, Guarulhos ou São Bernardo do Campo, a recomendação é conferir a situação vacinal e manter a caderneta atualizada.

“Nos demais municípios do estado, a orientação é intensificar as ações de vacinação através da verificação da situação vacinal da população, busca ativa e atualização das doses em atraso, conforme a idade e as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação”, explica a SES-SP.

De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo Prof. Alexandre Vranjac, a partir dos 6 meses de idade, a criança já pode desenvolver resposta imunológica à vacina tríplice viral e pode não estar mais protegida pelos anticorpos maternos.

Para pessoas com 60 anos ou mais, a vacinação indiscriminada não é recomendada, pois grande parte dessa população já teve contato natural com o vírus ao longo da vida, apresentando imunidade duradoura. Já para gestantes, a vacina tríplice viral é contraindicada por ser produzida com vírus atenuados. Pessoas com imunodeficiência grave ou histórico de alergia grave (anafilaxia) a algum componente da fórmula também não devem ser vacinadas. Lactantes podem receber a vacina normalmente, sem necessidade de interromper a amamentação, pois o imunizante não oferece riscos ao bebê.

Ameaça atual

A vice-presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm-SP), Melissa Palmier, afirma que o Brasil mantém o status de país livre do sarampo, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), responsável pelo certificado.

“Perdemos a certificação em 2019 após um surto prolongado, mas reconquistamos após um intenso esforço de vacinação e vigilância. Para perder novamente o status de eliminação, o mesmo vírus precisa circular de forma sustentada por mais de 12 meses contínuos”, explica.

Melissa destaca que o cenário atual em São Paulo resulta da combinação de casos importados e “bolsões de pessoas não vacinadas”. Como o vírus circula ativamente em países da Europa, Ásia e Américas, ele pode ser trazido por viajantes.

“Quando uma pessoa infectada chega a uma comunidade com cobertura vacinal abaixo do ideal, o vírus encontra campo fértil para se espalhar. Se 95% das pessoas estão vacinadas, elas formam uma barreira de proteção. Se a cobertura cai para 70%, abrem-se brechas, atingindo os mais vulneráveis”, diz.

Apesar dos desafios, Melissa acredita que controlar os casos atuais é possível, já que o sarampo é eliminável e o único reservatório é o ser humano. “Temos uma excelente ferramenta: a vacina tríplice viral, gratuita, eficaz e segura.”

Ela ressalta que o controle exige vigilância epidemiológica ativa para identificar rapidamente qualquer suspeita de febre, sintomas respiratórios e manchas avermelhadas na pele. A partir daí, é necessário isolar o paciente suspeito e depois o confirmado, além do uso de máscara. “O segundo ponto são as ações de bloqueio vacinal, imunizando os contatos do indivíduo em até 72 horas para cortar a cadeia de transmissão.”

Melissa reforça que a resposta nos municípios deve ser rápida, pois o sarampo é um dos vírus mais contagiosos, podendo ser transmitido por uma pessoa a até 18 não imunizadas. “A estratégia é vacinar nos postos e também onde a população está, como ocorre na cidade de São Paulo. Devemos combater a hesitação vacinal e a desinformação, com dados científicos claros, mostrando o grande benefício da vacinação frente ao risco da doença”, explica.

Notícias relacionadas: