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Brasil está preparado para se defender? Analista avalia edital do Exército

Por Sputnik Brasil 05/08/2026 11h11
Brasil está preparado para se defender? Analista avalia edital do Exército
Foto: © Foto / Érico Alves / Ministério da Defesa

O Exército Brasileiro (EB) abriu recentemente uma concorrência para avaliar propostas de aquisição de sistemas de munições remotamente pilotadas, conhecidos como drones kamikazes, com capacidade de ataque.

A iniciativa reforça o compromisso do Governo Federal em fortalecer a defesa nacional. Na última terça-feira (4), o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que, em caso de invasão dos Estados Unidos, "abriria o portão" para os norte-americanos, pois o país não teria equipamentos suficientes para resistir a um conflito.

Apesar das limitações atuais, João Gabriel Burmann, professor da UniRitter e pesquisador do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE), destacou em entrevista à Sputnik Brasil que o Brasil já vem investindo na modernização de suas Forças Armadas há algum tempo.

"O Brasil vem buscando, há bastante tempo, modernizar as suas Forças Armadas. O EB, responsável pelo edital de contratação [de drones], já está na segunda fase de sua transformação, que envolve não apenas a troca de equipamentos, mas também mudanças na doutrina de emprego, na preparação das tropas e até na organização administrativa e física dos espaços de comando", afirmou o especialista.

Ao analisar o edital do Exército, Burmann ressaltou que a iniciativa faz parte do processo de modernização das capacidades militares e reflete as tensões geopolíticas que influenciam e aceleram esse movimento.

"A mudança dos programas estratégicos reflete essa transformação do Exército Brasileiro e, sim, está relacionada à percepção geopolítica do cenário internacional, ao aumento das ameaças e à alteração na percepção de risco do Brasil, sejam elas mais ou menos latentes", explicou.

Brasil deve adquirir drones com potencial explosivo

Burmann também observou que os drones a serem adquiridos pelo Exército possuem característica ofensiva significativa, podendo operar a distâncias médias em relação à tecnologia militar contemporânea.

"O Exército Brasileiro busca contratar drones capazes de operar a pelo menos 40 quilômetros de distância, o que é uma média para a artilharia moderna. Esses drones podem ser guiados e, ao identificar um alvo ou ameaça, podem ser direcionados contra ele; possuem carga explosiva de cerca de dois quilos, podendo variar conforme o modelo", detalhou.

Segundo o analista, os drones kamikazes revolucionaram os conflitos recentes. O uso estratégico dessas armas ganhou destaque no confronto entre Armênia e Azerbaijão em Nagorno-Karabakh (2020) e atingiu seu ápice na guerra entre Ucrânia e Rússia, além de ter presença marcante em conflitos no Oriente Médio.

"Os drones kamikazes, também chamados de munições errantes, têm sido amplamente utilizados nos conflitos contemporâneos. O uso começou em Nagorno-Karabakh e depois se intensificou no conflito entre Ucrânia e Rússia, sendo empregados por ambos os lados, assim como nas guerras do Oriente Médio", analisou.

Produção nacional depende de parceria internacional

No campo industrial, Burmann acredita que o setor brasileiro pode ser beneficiado, mas ainda não possui capacidade para desenvolver um drone kamikaze totalmente nacional. Por isso, o país deverá recorrer a parcerias (joint ventures) com empresas estrangeiras.

"O edital exige que o drone já tenha sido testado em combate e esteja pronto para uso. O Brasil não quer protótipos. É improvável que uma empresa brasileira consiga cumprir todos os requisitos sozinha. O mais provável é a formação de joint ventures, tornando o edital um instrumento de cooperação internacional na área de defesa", concluiu.

O debate sobre a defesa ocorre em meio à pressão da Casa Branca sobre o governo brasileiro. O presidente Lula já reiterou a importância de Forças Armadas fortes. Em um cenário global marcado por conflitos, o poder de dissuasão e uma presença militar robusta são essenciais para garantir a soberania nacional.