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Vacinação reduz quase pela metade infecções por HPV no Brasil

Levantamento do Hospital Moinhos de Vento e do Ministério da Saúde mostra redução dos principais tipos do vírus, mas cobertura vacinal ainda está abaixo da meta

Por Agência Brasil 24/07/2026 09h09
Vacinação reduz quase pela metade infecções por HPV no Brasil
Pesquisa reforça a eficácia da vacina contra o HPV, mas cobertura vacinal ainda está abaixo da meta nacional - Foto: Agência Brasil

A prevalência dos principais tipos de HPV caiu quase pela metade no Brasil após a vacinação, segundo o maior estudo já realizado sobre a eficácia do imunizante na América Latina.

Dados coletados em 2016 e 2017 mostram que 14,98% dos participantes já haviam sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina. Nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, essa proporção caiu para 7,95%.

    A pesquisa Pop-Brasil, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, analisou amostras de jovens de 16 a 25 anos em duas fases. Na primeira, foram examinados 6.388 participantes não vacinados de ambos os sexos. Na segunda fase, mais de 10 mil jovens, vacinados e não vacinados, tiveram amostras coletadas em unidades de saúde.

    Segundo a médica epidemiologista e líder da pesquisa, Eliana Wendland, essa faixa etária foi escolhida por concentrar a maior prevalência de HPV, já que corresponde ao início da vida sexual. “Essa faixa etária também foi escolhida porque todos ali já deveriam ter sido vacinados”, explica.

    No entanto, a cobertura vacinal está aquém do ideal. Entre meninas e mulheres participantes, apenas 61,8% estavam vacinadas, enquanto entre os homens o índice foi ainda menor: 31,1%. A taxa considerada ideal é de 90%.

    Ainda assim, a eficácia da vacina ficou evidente. Entre meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante caiu de 15,6% na primeira fase (apenas não vacinadas) para 3,1% entre as vacinadas na segunda fase.

    Eliana destaca que a pesquisa também identificou o chamado “efeito rebanho”:

    “Percebemos um efeito populacional da vacinação entre as meninas. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, houve diminuição da prevalência de HPV.”

    Esse efeito ocorre porque altas coberturas vacinais reduzem a circulação do vírus, protegendo indiretamente toda a população. Entre meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina foi de 10,5% na segunda fase do estudo.

    Entre os homens, a prevalência desses subtipos caiu de 13,8% para 4,6% entre os vacinados. Já entre os não vacinados, não houve mudança estatisticamente significativa, o que, segundo Eliana, se deve à baixa cobertura vacinal masculina.

    “Esse achado não é inesperado, pois meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente associado ao câncer do colo do útero”, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista npj Vaccines com os resultados do estudo.

    Outro dado importante: enquanto a prevalência geral de HPV na população (considerando todos os subtipos) subiu de 46,7% para 56,6% entre as duas fases da pesquisa, a incidência dos quatro subtipos combatidos pela vacina caiu.

    A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de apenas uma dose, é eficaz, já que não houve diferença na prevalência do vírus entre pessoas vacinadas com uma, duas ou três doses.

    A vacinação contra o HPV pelo SUS começou em 2014 para meninas e, a partir de 2017, passou a incluir meninos, com mudanças na faixa etária ao longo dos anos. Em 2024, o esquema básico passou de duas para uma dose.

    Atualmente, o público-alvo inclui todas as crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de adultos vulneráveis, como imunossuprimidos, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição para prevenção do HPV e pessoas que já tiveram lesões precursoras no colo do útero.