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Polícia Civil investiga assassinato de casal LGBTQ+

Ieda Simplício, de 62 anos, e Fabiana Nogueira, de 47 anos, foram encontradas mortas na tarde do último sábado (20), em São Paulo

Por Agência Brasil 23/07/2026 14h02
Polícia Civil investiga assassinato de casal LGBTQ+
Polícia Civil informou à Agência Brasil que o caso é tratado como prioridade - Foto: Reprodução

Os assassinatos de duas mulheres negras e LGBTQ+ da cidade de Praia Grande, no litoral paulista, estão sendo investigados sob sigilo pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Vicente.

Ieda Simplício, de 62 anos, e Fabiana Nogueira, de 47 anos, foram encontradas mortas na tarde do último sábado (20), no bairro Samaritá, em São Vicente. O casal estava desaparecido desde 9 de julho.

A Polícia Civil informou à Agência Brasil que o caso é tratado como prioridade. A DIG já requisitou exames periciais e necroscópicos para avançar nas apurações. As diligências seguem para o total esclarecimento dos fatos e identificação dos autores do crime.

Entidades e representantes da comunidade LGBTQ+ se manifestaram nas redes sociais, apontando possível crime de ódio com viés misógino e lesbofóbico. A deputada federal Erika Hilton (PSOL) afirmou no X (antigo Twitter) que acionou o Ministério Público de São Paulo para acompanhar a investigação.

A parlamentar destacou a brutalidade do crime e cobrou justiça: “Um casal de duas mulheres negras que estava prestes a se casar, ambas foram encontradas mortas em Praia Grande em condições estarrecedoras”, escreveu Erika.

“Seus corpos foram descobertos enterrados em uma área de mata nove dias após elas desaparecerem em São Vicente. Com seus corpos, foi encontrado também um crânio humano não identificado. [...] E é urgente que o poder público se atente às possibilidades de feminicídio, lesbocídio e assassinatos motivados por racismo, que investigue, descubra, julgue e prenda os culpados por esse crime bárbaro”, acrescentou Hilton.

Anielle Franco, fundadora do Instituto Marielle Franco e ex-ministra da Igualdade Racial, também se pronunciou sobre o aumento dos casos de feminicídio no Brasil. Em publicação no X, afirmou:

“O Brasil continua sendo um país onde mulheres são assassinadas todos os dias. E quando essas mulheres são lésbicas, o silêncio e a invisibilidade também fazem parte da violência. Fabiana e Ieda não podem ser apenas mais um caso. Este crime de lesbofobia precisa ser investigado com seriedade, porque combater crimes de ódio também é responsabilidade do Estado. Justiça não pode ser seletiva”.

A Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais também se manifestou, publicando um memorial do casal no Instagram. A entidade, fundada em 2003, reforçou a importância de tratar o caso como feminicídio e lesbofobia.

“Quando crimes contra mulheres lésbicas-sapatão são tratados apenas como ‘homicídios’, perde-se a possibilidade de compreender as motivações da violência e construir políticas públicas para o enfrentamento. [...] Quando denunciamos a morte de mulheres lésbicas-sapatão, afirmamos que este não é (mais um) caso isolado”, publicou a organização.

Usuários também questionaram a baixa repercussão do caso na mídia. Diversos perfis destacaram que crimes de lesbofobia ainda não recebem a devida atenção da imprensa.