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Ex-secretária vira ré acusada de eutanásia em massa em cães e gatos no RS
Ministério Público aponta que animais eram submetidos à eutanásia sem necessidade para desviar recursos destinados a tratamentos que não teriam sido realizados.
A Justiça do Rio Grande do Sul recebeu, nesta quarta-feira (1º), a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, e outras oito pessoas investigadas por um suposto esquema de eutanásia ilegal de cães e gatos para desviar recursos destinados ao tratamento dos animais.
Com a decisão judicial, os nove investigados passam oficialmente à condição de réus no processo. Entre eles estão uma policial civil, dois médicos-veterinários e uma associação criada e mantida pela ex-secretária.
Segundo o Ministério Público, o grupo responderá por eutanásia ilegal de cães e gatos e outros crimes relacionados a maus-tratos contra animais domésticos. As investigações apontam que os fatos ocorreram ao longo de 2025 no Centro de Bem-Estar Animal de Canoas e em outros locais do município, além de Porto Alegre.
Na denúncia, o MP também pede a aplicação de sanções previstas na legislação penal e ambiental, incluindo a proibição de manter animais sob guarda, a perda de bens relacionados aos crimes e a perda de cargos e funções públicas.
Conforme o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), a Vara Regional do Meio Ambiente negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa de Paula Lopes, que seguirá presa durante o andamento do processo.
Paula Lopes foi presa em 15 de junho durante uma operação da Polícia Civil. Na ocasião, também foram presos dois médicos-veterinários, incluindo uma profissional que atuava na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas.
As investigações começaram em 2025 e tiveram como ponto de partida denúncias feitas por usuários do serviço e por servidores da própria secretaria.
Na primeira fase da operação, realizada em setembro, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da pasta, na residência e no sítio da ex-secretária, além da casa da veterinária investigada.
De acordo com a Polícia Civil, a análise do material apreendido revelou um número de procedimentos de eutanásia muito superior ao esperado para o perfil dos animais recolhidos e acima da média registrada em anos anteriores.
Segundo a investigação, ao menos 478 cães e gatos foram submetidos à eutanásia em um período de oito meses. Após os procedimentos, os animais eram encaminhados para incineração em uma universidade.
Os investigadores afirmam que diversos animais possuíam possibilidade de tratamento e recuperação, mas, mesmo assim, eram sacrificados. Conforme a apuração, os recursos arrecadados para custear esses tratamentos seriam desviados.
A Polícia Civil também informou que Paula Lopes utilizava sua imagem como protetora dos animais para fortalecer campanhas de arrecadação de doações por meio de uma organização não governamental.
Ainda segundo a investigação, o afastamento da ex-secretária do cargo, em agosto de 2025, não interrompeu o suposto esquema, que teria continuado funcionando no sítio onde operava a entidade.
As apurações indicam que, desde 2020, mais de 500 campanhas de arrecadação foram realizadas pela organização, que recebeu aproximadamente R$ 670 mil em doações de cerca de 15 mil pessoas.
Durante a operação, além de celulares, computadores e outros materiais utilizados na investigação, a polícia também resgatou o cachorro Dudu, um animal sem as patas dianteiras que, segundo os investigadores, era utilizado em publicações para incentivar doações via Pix.
O processo segue em tramitação na Justiça do Rio Grande do Sul.


