Nacional

Fiscalização resgata seis indígenas em situação análoga à escravidão no RS

Além das condições degradantes de moradia e trabalho, os indígenas não possuíam carteira assinada. O empregador foi preso em flagrante e firmou um acordo para indenizar as vítimas.

Por Redação 01/07/2026 11h11
Fiscalização resgata seis indígenas em situação análoga à escravidão no RS
Operação conjunta identificou trabalhadores indígenas vivendo em alojamento precário e sem registro formal em uma propriedade rural na Região Metropolitana de Porto Alegre. - Foto: Reprodução

Seis trabalhadores indígenas da etnia guarani foram resgatados de condições análogas à escravidão durante uma fiscalização realizada na terça-feira (30), em uma propriedade rural de Glorinha. A operação foi conduzida por equipes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Polícia Federal.

De acordo com os órgãos responsáveis pela ação, os trabalhadores atuavam em uma lavoura de legumes e estavam alojados em condições consideradas degradantes. Além disso, nenhum deles possuía vínculo formal de trabalho com registro em carteira.


Segundo o procurador do trabalho Bernardo Mata Schuch, a fiscalização encontrou um cenário de extrema vulnerabilidade.


"Chamou a atenção a absoluta precariedade dos alojamentos rurais e a vulnerabilidade dos indígenas, que estavam sendo atropelados nos seus direitos mais básicos."


Os seis resgatados são homens com idades entre 20 e 30 anos. Um deles é imigrante argentino, dois são naturais de Santa Catarina e os demais do Rio Grande do Sul.


Conforme os depoimentos prestados durante a operação, os trabalhadores viviam em um casebre de madeira sem instalações sanitárias adequadas. Eles também relataram que o empregador não fornecia cobertas e que sequer havia equipamentos de trabalho suficientes para todos.


O responsável pelas contratações, cuja identidade não foi divulgada, foi preso em flagrante pela Polícia Federal. Ele também assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) emergencial, comprometendo-se a indenizar os trabalhadores e custear as passagens para que retornem às suas cidades de origem.


Além das indenizações, os seis indígenas terão direito ao seguro-desemprego destinado a trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão.


O caso continuará sendo apurado por meio de um inquérito civil, que acompanhará o cumprimento das obrigações assumidas pelo empregador. A primeira audiência do processo está prevista para este mês, em data ainda não divulgada.