Nacional
Filha é condenada por tentar matar a mãe com veneno em hospital
Maria Eduarda Marques recebeu pena de quase 22 anos de prisão por tentar envenenar a própria mãe durante internação em São Luís, no Maranhão
O 1º Tribunal do Júri de São Luís, no Maranhão, condenou Maria Eduarda Marques a 21 anos, 11 meses e 26 dias de reclusão por tentar matar a própria mãe, Sandra Maria Marques, com medicamentos adulterados por veneno. A pena foi aplicada por tentativa de feminicídio qualificado em contexto de violência familiar, e o cumprimento foi determinado de forma imediata.
Segundo a denúncia do Ministério Público, as tentativas ocorreram enquanto Sandra estava internada no Hospital Geral da Vila Luizão para tratamento de atrofia multissistêmica. Na condição de acompanhante da mãe, Maria Eduarda teria tentado fazer com que profissionais de saúde administrassem medicamentos contaminados com substâncias tóxicas.
A primeira tentativa aconteceu em 24 de abril de 2025, por volta das 19h. Conforme as investigações, a acusada entregou um frasco a uma técnica de enfermagem e pediu que o medicamento fosse utilizado no lugar do fornecido pelo hospital, alegando que o remédio da unidade era "genérico".
No entanto, a profissional percebeu a presença de pequenas partículas escuras no recipiente e comunicou imediatamente a médica responsável.
Três dias depois, em 27 de abril, por volta das 9h, Maria Eduarda voltou a apresentar outro frasco de medicamento, desta vez a uma médica da unidade hospitalar. Ela afirmou que o remédio havia desaparecido desde o plantão anterior e que deveria ser aplicado na mãe, que estaria enfrentando dificuldades para dormir.
Desconfiando novamente da situação, a médica informou o diretor do hospital, que acionou a Polícia Civil. Maria Eduarda foi levada à delegacia, onde negou ter adulterado os medicamentos e tentou atribuir os frascos ao irmão, que também foi ouvido e negou qualquer participação.
Os exames periciais confirmaram posteriormente que os recipientes continham terbufós e alfametrina, pesticidas associados ao chamado "chumbinho", produto clandestinamente utilizado como veneno para matar ratos no Brasil.
Com base nas provas reunidas durante a investigação, a Polícia Civil encaminhou o caso ao Ministério Público, que denunciou Maria Eduarda por tentativa de feminicídio qualificado. A acusação sustentou que o crime foi cometido contra a própria mãe, em ambiente de violência familiar, utilizando veneno e aproveitando-se da condição de extrema vulnerabilidade da vítima, que estava hospitalizada e sem possibilidade de defesa.
Durante o julgamento, realizado na terça-feira (23), foram ouvidas oito testemunhas e a ré foi interrogada. O Conselho de Sentença acolheu a tese do Ministério Público e reconheceu as qualificadoras do uso de veneno e da impossibilidade de defesa da vítima.
Nos debates em plenário, o promotor de Justiça Agamenon Batista de Almeida Júnior também pediu o reconhecimento das agravantes pelo fato de o crime ter sido praticado contra ascendente — a própria mãe da acusada — e contra uma pessoa enferma.
Após a condenação, o juiz Gilberto de Moura Lima determinou a expedição imediata do mandado de prisão para o início do cumprimento da pena.


