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Ministério da Saúde lança PADI Brasil com investimento de R$ 500 milhões

80% dos idosos dependem exclusivamente do SUS

Por Sputnik Brasil com Redação 19/06/2026 06h06
Ministério da Saúde lança PADI Brasil com investimento de R$ 500 milhões
Foto: © Vinícius Fernandes/Sputnik Brasil

O Ministério da Saúde anunciou, nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, o lançamento do PADI Brasil (Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa), iniciativa inédita que destinará quase R$ 500 milhões até 2027 para fortalecer o atendimento domiciliar a idosos em todo o país.

Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o protagonismo brasileiro na criação de regras globais mais justas contra futuras pandemias e ressaltou as três frentes de atuação da pasta: ampliar o atendimento especializado em casa para a população idosa, liderar acordos internacionais para combater desigualdades em crises sanitárias e fortalecer programas como o Mais Médicos e o Mais Especialistas.

O envelhecimento populacional é um dos principais desafios das próximas décadas. Com a expectativa de vida no Brasil chegando a 76 anos e seis meses em 2024, 80% dos idosos dependem exclusivamente do SUS. O PADI Brasil é a primeira estratégia nacional dedicada a idosos com limitações funcionais, e mais de 2.700 municípios já solicitaram adesão ao programa. O Ministério da Saúde prevê a formação de mais de 3.300 equipes multiprofissionais, compostas por médicos, geriatras, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas.

"A gente calcula hoje que há cerca de 3 milhões de idosos acamados no Brasil, acompanhados e cadastrados pelas equipes de Atenção Primária em Saúde do SUS. Já no início do programa, será possível atender mais da metade desses idosos em todo o país. Aliado ao Farmácia Popular, que garante medicamentos para hipertensão, diabetes e fraldas geriátricas, e ao 'Agora Tem Especialistas', que reduz o tempo de espera para cirurgias e exames especializados, estamos reorganizando o SUS para cuidar melhor dos idosos do nosso país", afirmou o ministro Padilha.

Na ocasião, a médica Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, pioneira da atenção domiciliar no Rio de Janeiro nos anos 1990, foi homenageada por inspirar o modelo nacional.

Para enfrentar os desafios do envelhecimento e das mudanças climáticas, o Brasil tem buscado parcerias com países que possuem sistemas públicos universais, como Reino Unido, Espanha, França e Austrália. Padilha ressaltou a singularidade do modelo brasileiro: "Nenhum país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes tem um sistema nacional público como o nosso. Temos feito cooperação com esses países para entender como eles enfrentam seus desafios", explicou.

Esse intercâmbio internacional está sendo aplicado na modernização dos programas Mais Médicos, que completou 13 anos com 67 milhões de pacientes atendidos, e Mais Médicos Especialistas. A prioridade agora é a saúde digital, com destaque para a telessaúde. "Você pode colocar o médico que está na ponta, em áreas remotas, sertão, Amazônia ou periferia de grandes cidades, em contato com centros especializados para resolver mais rapidamente os problemas de saúde da população", completou Padilha.

Acordo global sobre pandemias

Além de modernizar o atendimento primário, o Brasil assumiu a liderança na articulação do Acordo Global sobre Pandemias, aprovado em 2025. O objetivo é garantir o compartilhamento obrigatório de tecnologias e insumos desde o início das emergências, protegendo profissionais de saúde e populações vulneráveis.

Padilha criticou a exclusão do Sul Global no cenário farmacêutico. "Muitas vezes o patógeno é descoberto num país em desenvolvimento e as grandes empresas, instituições dos países desenvolvidos, vão lá, identificam a vacina e a vacina nunca chega para o país em desenvolvimento", questionou.

A cobrança por regras mais justas já chegou às maiores potências. Na recente cúpula do G7, o presidente Lula e o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, lançaram uma carta aberta exigindo apoio internacional para que os países mais pobres nunca mais fiquem no fim da fila.