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Médica alerta para riscos de tirzepatida sem procedência
Especialista aponta perigo da compra irregular de medicamentos usados para emagrecimento rápido
A comercialização irregular de medicamentos à base de tirzepatida, substância presente no Mounjaro, tem preocupado especialistas diante do aumento da venda de ampolas sem procedência e sem aprovação dos órgãos reguladores. A facilidade de compra pela internet e pelas redes sociais tem impulsionado um mercado clandestino voltado principalmente ao emagrecimento rápido.
A médica nutróloga Eline Soriano alerta que o uso dessas substâncias sem acompanhamento profissional pode provocar reações adversas e complicações graves, especialmente pela falta de garantia sobre a composição e o armazenamento adequado dos produtos.
“Hoje existe uma banalização muito grande do uso dessas medicações. Muitas pessoas compram ampolas sem saber a origem, sem prescrição e sem qualquer controle de qualidade. O paciente não tem garantia do que realmente está sendo aplicado”, destacou a especialista.
Segundo a médica, além da possibilidade de falsificação e adulteração, outro problema envolve o transporte inadequado da tirzepatida, medicamento que necessita de controle rigoroso de temperatura para manter estabilidade e eficácia.
“A tirzepatida é um medicamento sensível, que precisa ser transportado e armazenado corretamente. Quando esse processo não é respeitado, existe risco de perda da eficácia, contaminação e até alteração da substância. Em muitos casos, esses produtos chegam ao consumidor sem refrigeração adequada e sem qualquer segurança sanitária”, explicou.
A especialista também chamou atenção para a entrada de produtos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segundo ela, a comercialização clandestina de canetas e ampolas importadas ilegalmente tem crescido principalmente em marketplaces e redes sociais.
“Estamos vendo medicamentos chegando ao Brasil sem aprovação da Anvisa, sem rastreabilidade e sem controle sanitário. Isso é extremamente grave porque o paciente fica vulnerável a produtos falsificados, contaminados ou manipulados sem critérios técnicos”, afirmou.
De acordo com Eline Soriano, o uso indiscriminado da tirzepatida pode causar efeitos colaterais importantes, principalmente quando realizado sem avaliação médica. Entre os riscos estão náuseas intensas, vômitos, desidratação, alterações gastrointestinais e complicações metabólicas.
“Não é uma medicação isenta de riscos. Existe indicação correta, dose adequada, necessidade de acompanhamento e avaliação individualizada. O uso por conta própria, motivado apenas por promessas de emagrecimento rápido, pode trazer consequências sérias para a saúde”, alertou.
A orientação dos especialistas é que pacientes busquem acompanhamento médico e adquiram medicamentos apenas em estabelecimentos regularizados, garantindo procedência, armazenamento adequado e segurança no tratamento.
Dra. Eline de Almeida Soriano é formada em Nutrologia pela USP, especialista titulada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e integrante da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Federal de Medicina (CFM). A médica atua em Maceió nas áreas de emagrecimento e promoção do bem-estar.
*Com informações da Assessoria


