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Homem picado por cobra diz ter recebido 20 doses de soro contra espécie errada

Servidor público levou 20 doses do antídoto para cascavel, mas havia sido picado por jararacuçu; médico se recusou a seguir orientação do Butantan

Por Redação com agências 09/04/2026 13h01
Homem picado por cobra diz ter recebido 20 doses de soro contra espécie errada
Picado por cobra, homem recebe soro errado por semanas e quase morre; IA ajudou a identificar a espécie - Foto: Reprodução

Leandro Marques do Nascimento, servidor público de 46 anos, passou um mês internado após ser picado por uma cobra jararacuçu enquanto pescava em Eldorado, no interior de São Paulo. O problema não foi só a picada: durante semanas, ele recebeu o soro para a espécie errada, o que quase o matou.

Tudo começou no dia 7 de março, no Parque Salto da Usina. Leandro sentiu uma queimação na perna, olhou para baixo e viu sangue. Fotografou a cobra nas proximidades e foi levado pela esposa à Santa Casa de Eldorado. No pronto-socorro, ao descrever o animal, mencionou que o rabo "parecia um parafuso" e que a cobra havia saído "balançando o rabo". O médico concluiu tratar-se de uma cascavel e aplicou dez doses do soro anticrotálico.

Oito horas depois, os sintomas pioravam. Leandro foi transferido para o Hospital Regional de Pariquera-Açu com urina escura, pressão alta e inchaço tomando toda a perna. Na nova unidade, uma informação equivocada de funcionária do primeiro hospital fez a equipe aplicar dois soros para jararacuçu, o que trouxe alguma melhora. Mas no dia seguinte, ao ver o prontuário original com as dez doses para cascavel, o médico de plantão receitou mais dez doses do antídoto errado. Os sintomas voltaram a piorar.

Foi então que Leandro pediu à irmã que enviasse as fotos da cobra ao Instituto Butantan. A resposta foi direta: o acidente havia sido causado por uma jararacuçu, não por cascavel, e o hospital deveria revisar o protocolo com urgência. Duas inteligências artificiais, o ChatGPT e o Gemini, chegaram à mesma conclusão ao analisar as imagens.

Leandro informou o médico sobre o retorno do Butantan. O profissional se recusou a seguir as orientações. A cirurgia para aliviar a pressão na perna só foi autorizada no dia 14 de março, após a esposa acionar a Polícia Militar.

Ele recebeu alta na última segunda-feira (6), mas com sequelas. "Não estou conseguindo mexer a perna, estou com a perna toda dolorida ainda, não sei se consigo voltar a andar", relatou. O hospital, consultado, informou apenas que segue protocolos assistenciais e não comenta casos concretos por sigilo médico.