Nacional
Homem picado por cobra diz ter recebido 20 doses de soro contra espécie errada
Servidor público levou 20 doses do antídoto para cascavel, mas havia sido picado por jararacuçu; médico se recusou a seguir orientação do Butantan
Leandro Marques do Nascimento, servidor público de 46 anos, passou um mês internado após ser picado por uma cobra jararacuçu enquanto pescava em Eldorado, no interior de São Paulo. O problema não foi só a picada: durante semanas, ele recebeu o soro para a espécie errada, o que quase o matou.
Tudo começou no dia 7 de março, no Parque Salto da Usina. Leandro sentiu uma queimação na perna, olhou para baixo e viu sangue. Fotografou a cobra nas proximidades e foi levado pela esposa à Santa Casa de Eldorado. No pronto-socorro, ao descrever o animal, mencionou que o rabo "parecia um parafuso" e que a cobra havia saído "balançando o rabo". O médico concluiu tratar-se de uma cascavel e aplicou dez doses do soro anticrotálico.
Oito horas depois, os sintomas pioravam. Leandro foi transferido para o Hospital Regional de Pariquera-Açu com urina escura, pressão alta e inchaço tomando toda a perna. Na nova unidade, uma informação equivocada de funcionária do primeiro hospital fez a equipe aplicar dois soros para jararacuçu, o que trouxe alguma melhora. Mas no dia seguinte, ao ver o prontuário original com as dez doses para cascavel, o médico de plantão receitou mais dez doses do antídoto errado. Os sintomas voltaram a piorar.
Foi então que Leandro pediu à irmã que enviasse as fotos da cobra ao Instituto Butantan. A resposta foi direta: o acidente havia sido causado por uma jararacuçu, não por cascavel, e o hospital deveria revisar o protocolo com urgência. Duas inteligências artificiais, o ChatGPT e o Gemini, chegaram à mesma conclusão ao analisar as imagens.
Leandro informou o médico sobre o retorno do Butantan. O profissional se recusou a seguir as orientações. A cirurgia para aliviar a pressão na perna só foi autorizada no dia 14 de março, após a esposa acionar a Polícia Militar.
Ele recebeu alta na última segunda-feira (6), mas com sequelas. "Não estou conseguindo mexer a perna, estou com a perna toda dolorida ainda, não sei se consigo voltar a andar", relatou. O hospital, consultado, informou apenas que segue protocolos assistenciais e não comenta casos concretos por sigilo médico.

