Nacional
Lagoinha Belvedere fecha templo após prisão ligada ao caso Master
Unidade apaga redes e encerra atividades 11 dias após operação que investiga esquema bilionário
A Igreja Batista da Lagoinha, no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, apagou seus perfis nas redes sociais e, dias depois, fechou as portas do templo. A unidade, considerada uma das mais luxuosas da rede, funcionava em um espaço de cerca de 14 mil metros quadrados, com aluguel superior a R$ 420 mil mensais.
O fechamento ocorreu aproximadamente 11 dias após a prisão do ex-pastor Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro. Ele é investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento no esquema bilionário ligado ao Banco Master.
O primeiro indício de crise foi o chamado “apagão” digital. No início da semana, fiéis perceberam que todas as contas da igreja haviam sido excluídas, sem explicação oficial. Na ocasião, o CNPJ da instituição permanecia ativo e ainda registrava Zettel como presidente.
Zettel é apontado como uma das figuras centrais nas investigações da operação “Compliance Zero”, que apura crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e manipulação de mercado. O prejuízo estimado no caso ultrapassa R$ 50 bilhões.
Dias após a retirada das redes sociais, a unidade encerrou as atividades. Nos bastidores, a decisão é interpretada como tentativa de conter o desgaste provocado pela associação entre a igreja e o escândalo financeiro.
A crise também alcança a liderança da instituição. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam movimentações de cerca de R$ 3,9 milhões entre o Banco Master e a Amando Vidas Produtora e Gravadora Ltda., empresa ligada ao pastor André Valadão, entre março e abril de 2022.
Além disso, a igreja suspendeu recentemente a fintech Clava Forte Bank, criada pelo próprio líder religioso, que operava sem autorização do Banco Central.
A Igreja Batista da Lagoinha não comentou o fechamento da unidade nem a exclusão dos perfis nas redes sociais.


