Nacional
EUA manifestam preocupação com possível atuação chinesa no porto de Santos
Diplomatas dos Estados Unidos também criticaram a influência de empresas chinesas no porto de Chancay, no Peru
A presença da China no porto de Santos, o maior da América Latina, não é de interesse dos Estados Unidos, afirmou o cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
De acordo com a publicação deste domingo (15), Murakami declarou, durante encontro com empresários do setor portuário na Baixada Santista no início do mês, que não seria do interesse de Washington que uma empresa chinesa vença o leilão do megaterminal Tecon 10.
Segundo o jornal, Murakami disse que o terminal não deveria cair em “mãos indesejadas”. O Tecon 10 é um dos principais projetos de expansão do porto de Santos, cujo edital ainda não tem data definida para publicação. O objetivo do projeto é impulsionar a logística portuária nacional e atrair grandes operadores internacionais do setor.
O consulado americano negou qualquer pressão direta sobre o leilão brasileiro, mas reiterou que o governo dos EUA tem “preocupações em relação à participação de empresas chinesas”, citando questões de segurança, soberania e competição estratégica.
Diplomatas dos Estados Unidos também criticaram a influência de empresas chinesas no porto de Chancay, no Peru, um megaprojeto financiado por capital chinês.
O porto de Chancay, que será a maior estrutura do tipo na América Latina, superando o porto de Santos, promete reduzir em um terço o tempo médio de chegada de produtos brasileiros ao Oriente.
Primeiro porto construído na América Latina com maioria de capital chinês, o terminal de Chancay, a 60 quilômetros de Lima, deve se tornar o principal centro de conexão da região com a Ásia.
Após uma decisão judicial que limitou o poder de fiscalização do órgão regulador peruano sobre o terminal, o embaixador dos EUA em Lima, Bernie Navarro, classificou a situação como “preocupante”.


