Nacional

Polícia aponta aliança entre PCC e CV em esquema nacional do crime

Operação investiga expansão do Comando Vermelho, suspeita de apoio do PCC e esquema com lavagem de dinheiro e influência política

Por Redação com CNN Brasil 11/03/2026 17h05 - Atualizado em 11/03/2026 17h05
Polícia aponta aliança entre PCC e CV em esquema nacional do crime
Debate sobre a classificação das maiores facções criminosas do Brasil ganha força com pressão do governo dos EUA e divergências entre autoridades sobre a Lei Antiterrorismo - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou indícios de cooperação entre duas das maiores facções criminosas do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A suspeita surgiu durante as investigações da Operação Contenção Red Legacy, deflagrada nesta quarta-feira (11), que apura a expansão nacional do grupo criminoso carioca.

Segundo os investigadores da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), o Comando Vermelho passou a atuar com uma estrutura semelhante à de um cartel, com divisão territorial, conselhos de comando e coordenação de atividades criminosas em diversos estados brasileiros.

De acordo com o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, a organização ampliou significativamente sua atuação nos últimos anos e deixou de atuar apenas no tráfico de drogas.

“O Comando Vermelho hoje não é mais um grupo criminoso somente traficante de drogas. O Comando Vermelho hoje age num esquema de cartel com atuação nacional e transnacional”, afirmou.

As investigações também apontam a existência de alianças entre o CV e outras organizações criminosas, incluindo indícios de cooperação com o PCC.

“Temos provas disso na investigação: o Comando Vermelho se aliou ao PCC e também a diversas outras facções criminosas atuantes em todo o país”, declarou o secretário.

Outro ponto destacado pelas autoridades é o complexo sistema financeiro utilizado pela organização criminosa, que envolve esquemas de lavagem de dinheiro e movimentações milionárias. Segundo Curi, diferentes fases da operação já resultaram no bloqueio de cerca de R$ 15 bilhões ligados ao grupo.

“Isso não é movimentação de uma simples facção criminosa. O esquema é muito mais complexo e envolve políticos, maus agentes públicos e uma grande rede criminosa”, afirmou.

As autoridades também alertaram para o nível de armamento utilizado pelos criminosos. Segundo a polícia, integrantes da facção utilizam armamentos pesados, como fuzis de grande calibre, granadas e até drones adaptados para lançar explosivos, cenário que, segundo o secretário, ultrapassa o padrão tradicional do crime organizado.

Estrutura de comando


As investigações indicam que, mesmo após quase 30 anos preso, o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, ainda exerce influência na estrutura de liderança da facção, integrando o chamado conselho federal permanente.

Outros nomes apontados como integrantes da cúpula da organização incluem Edgar Alves de Andrade, o Doca, considerado uma das principais lideranças nas ruas; Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, responsável pela gestão financeira; e Carlos da Costa Neves, conhecido como Gardenal, apontado como operador de ordens da cúpula do grupo.

A investigação também identificou participação de familiares de Marcinho VP na estrutura da organização. A esposa dele, Márcia Gama, seria responsável por intermediar interesses do grupo fora do sistema prisional. Já Landerson, sobrinho do traficante, atuaria como elo entre lideranças da facção e integrantes que operam nas comunidades e em atividades econômicas exploradas pelo grupo. Ambos são considerados foragidos.

Outro foco da investigação envolve suspeitas de influência política em áreas dominadas pelo tráfico.

De acordo com a Polícia Civil, o vereador Salvino Oliveira (PSD-RJ) teria negociado com integrantes da facção autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, na zona oeste do Rio de Janeiro, região controlada pelo Comando Vermelho.

Em troca, segundo a investigação, o parlamentar teria articulado ações que beneficiariam o grupo criminoso, apresentadas publicamente como iniciativas voltadas à população local. Um dos episódios analisados envolve a instalação de quiosques na região, onde parte dos beneficiários teria sido indicada por integrantes da facção.

Policiais investigados


A operação também cumpriu mandados contra policiais militares suspeitos de envolvimento no esquema.

Em nota, a Polícia Militar informou que a Corregedoria acompanhou a Polícia Civil no cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra seis agentes. Eles foram levados para a Cidade da Polícia e posteriormente encaminhados para a unidade prisional da corporação, em Niterói.

A PM destacou que não tolera irregularidades entre seus integrantes e que pune com rigor eventuais crimes comprovados.

Prisões e investigações


Ao todo, sete pessoas foram presas durante a operação. As investigações seguem em andamento para aprofundar a responsabilização dos envolvidos e ampliar o combate às estruturas financeiras e operacionais do Comando Vermelho.