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Conflito EUA-Irã pode elevar exportações de petróleo do Brasil
Especialistas apontam risco de inflação e recessão global, enquanto país pode ampliar vendas externas de petróleo.
Um eventual prolongamento do conflito entre Estados Unidos e Irã pode provocar inflação e recessão em escala global. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o Brasil pode ampliar suas exportações de petróleo para suprir parte da demanda internacional.
O presidente dos EUA, Donald Trump, sinaliza expectativa de que a ofensiva militar seja breve. Caso o Irã se renda rapidamente, a tendência é que o preço internacional do petróleo registre alta moderada, já que o mercado financeiro já vinha antecipando o risco de conflito. “O mercado só não consegue prever a duração dessa intervenção militar”, afirma o especialista em ativos globais estratégicos Mário de Oliveira Filho.
Se o conflito se prolongar, no entanto, o impacto pode ser mais amplo. O Irã pode tentar bloquear o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula entre 20% e 25% de todo o petróleo exportado no mundo — mais de 20 milhões de barris por dia destinados principalmente a países asiáticos.
“Se o Irã bloquear o Estreito de Ormuz, o barril do petróleo vai subir quase 20%, afetando todas as cadeias de produção no mundo”, afirma Oliveira Filho. Segundo Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, um conflito prolongado poderia desencadear uma recessão global. “Haveria recessão a nível mundial e produtos básicos, como carne e café, ficariam mais caros.”
Mesmo sendo produtor relevante, o Brasil não ficaria imune à pressão inflacionária. Os preços internos de combustíveis acompanham o mercado internacional, o que pode elevar gasolina, diesel e gás de cozinha caso o barril suba no exterior.
Além disso, o país importa cerca de 300 mil barris de petróleo por dia, utilizados principalmente na produção de querosene de aviação e produtos petroquímicos. Apesar disso, com produção superior a 4 milhões de barris diários, o Brasil poderia ampliar as exportações para atender países que hoje compram petróleo do Oriente Médio.
A Opep+ já avalia elevar a produção em até 411 mil barris por dia para tentar conter a escalada de preços diante da instabilidade no mercado energético.
Caso a ofensiva militar seja curta, especialistas acreditam que a alta no preço do petróleo tende a ser temporária. “Se a ofensiva for de curto prazo, o petróleo vai dar um pulo no preço do barril, mas se estabilizará rapidamente”, afirma Ardenghy.
Para analistas, o conflito envolve interesses distintos na região. A disputa também envolve Israel, que vê o Irã como rival estratégico no Oriente Médio, enquanto os Estados Unidos mantêm forte interesse geopolítico e energético na região.
*Com informações do UOL


