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CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha e convoca André Moura

O pedido foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União/AL), que também solicitou a elaboração de relatórios de inteligência financeira

Por Agência Brasil com Redação* 26/02/2026 13h01
CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha e convoca André Moura

Os membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovaram, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O pedido foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União/AL), que também solicitou a elaboração de relatórios de inteligência financeira sobre Lulinha.

Silva é citado em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a realizarem, em dezembro de 2025, uma nova fase da Operação Sem Desconto. A investigação apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados, que teria lesado milhões de aposentados e pensionistas.

Mensagens extraídas pela PF do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como principal operador do esquema, mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para “o filho do rapaz” — referência que, segundo os investigadores, seria a Lulinha.

“A quebra dos sigilos bancário e fiscal, bem como o acesso ao Relatório de Inteligência Financeira (RIF) de Fábio Luís Lula da Silva, tornam-se imperativos técnicos para a CPMI do INSS”, justificou o deputado Alfredo Gaspar em seu requerimento.

Em nota divulgada na quarta-feira (25), a defesa de Silva afirmou que ele não tem qualquer relação com as fraudes contra beneficiários do INSS, não tendo participado de desvios nem recebido valores de fontes criminosas.

“Diante da incessante campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação”, afirmou o advogado Guilherme Suguimori Santos.

O advogado informou ainda que Silva se colocou à disposição do Supremo para prestar esclarecimentos assim que a defesa tiver acesso aos autos do processo. “O acesso aos autos ainda não foi concedido a Silva, o que impede qualquer outra manifestação atual, uma vez que trabalhamos com fatos e provas, não com o combate contra conjecturas inverificáveis”, argumentou.

Durante a 32ª reunião da CPMI, deputados e senadores votaram outros 86 requerimentos, incluindo a quebra de sigilos bancário e fiscal do Banco Master e novas convocações, como a do ex-executivo e sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima.

“Lima deixou a sociedade no Banco Master em 2024”, destacou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) em seu requerimento, lembrando que, segundo a PF, o ex-executivo é suspeito de ter atuado na estrutura interna do banco e participado de manobras para ocultar irregularidades identificadas pelo Banco Central.

Também foram aprovadas convocações do ex-deputado federal André Luis Dantas Ferreira, o André Moura; da empresária Danielle Miranda Fontelles; e de Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), entre outros.

Segundo o deputado Rogério Correia (PT-MG), um dos autores do requerimento para convocar Ferreira, o ex-deputado é apontado como possível articulador do esquema de fraude no INSS, especialmente em Sergipe.

Danielle Miranda é citada como responsável por operar estruturas dos fraudadores no exterior, facilitando a circulação internacional de capitais e a lavagem de dinheiro por meio de suas empresas. Já Gustavo Marques Gaspar foi alvo de operação da PF e CGU por supostas ligações com integrantes do esquema de descontos fraudulentos.

Todos os 87 requerimentos foram votados em bloco, sem discussão individual. Após a proclamação do resultado, houve tumulto, com empurra-empurra e trocas de socos, o que levou à interrupção da reunião.

A CPMI também vai ouvir o depoimento do empresário Paulo Camisotti, filho e sócio de Maurício Camisotti, que está preso acusado de envolvimento nas fraudes. Paulo é investigado por suposta participação no esquema bilionário.

Os parlamentares pretendiam ainda ouvir o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB/MA) e o advogado Cecílio Galvão, mas ambos não compareceram. Segundo o presidente da comissão, deputado Carlos Viana (Podemos/MG), Araújo alegou motivo de saúde e restrição judicial que o impede de deixar São Luís (MA) e de se aproximar do deputado federal Duarte Junior (PSB), conforme decisão do ministro André Mendonça, do STF.