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Maioria dos brasileiros associa cigarro ilegal a facções criminosas

Levantamento do Instituto Locomotiva mostra percepção majoritária de que o produto financia facções e amplia a insegurança

Por Redação* 12/02/2026 09h09
Maioria dos brasileiros associa cigarro ilegal a facções criminosas
Apreensão de cigarros ilegais lidera operações de combate ao contrabando no país - Foto: Geralt para Pixabay

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, encomendada pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), aponta que a maioria dos brasileiros associa diretamente o cigarro ilegal ao financiamento do crime organizado no país.

Segundo o levantamento, 94% dos entrevistados acreditam que a comercialização de cigarros ilegais sustenta organizações criminosas. Outros 83% afirmam que facções lucram diretamente com a venda desses produtos, enquanto 82% relacionam o comércio clandestino ao aumento da insegurança nas cidades.

A pesquisa também indica que 83% dos participantes avaliam que as mesmas rotas usadas para o contrabando de cigarros são empregadas no tráfico de drogas e armas. Para os entrevistados, a atuação do crime organizado vai além de um único tipo de atividade ilegal.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) reforçam essa percepção. Em 2025, mais de 350 milhões de maços de cigarros foram apreendidos no Brasil, o que tornou o produto o mais retido em operações de combate ao contrabando no país.

As principais rotas identificadas passam pela fronteira com o Paraguai, especialmente no estado de Mato Grosso do Sul, e seguem pelo eixo Paraná–São Paulo. Rodovias do Sul e Sudeste, como a BR-277, a BR-163 e a BR-101, também aparecem como corredores frequentes do transporte ilegal.

O levantamento mostra ainda que 92% dos brasileiros acreditam que os grupos envolvidos no mercado ilegal de cigarros atuam simultaneamente em outras práticas criminosas. Já 85% percebem conexões entre organizações que adulteram cigarros, bebidas e combustíveis.

O tamanho do mercado ilegal também chama a atenção. Dados do Instituto Ipec indicam que cerca de 32% de todo o volume de cigarros consumidos no Brasil tem origem ilícita. Esse mercado movimenta aproximadamente R$ 8,8 bilhões por ano, com evasão fiscal estimada em R$ 7,2 bilhões apenas em 2024.

A pesquisa aponta ainda que 78% dos entrevistados consideram que o aumento de impostos sobre o cigarro legal estimula o crescimento da ilegalidade. Ao mesmo tempo, 87% defendem uma atuação mais firme do governo no combate ao comércio clandestino.

*Com informações do Instituto Locomotiva