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Coaf aponta repasses de R$ 595 mil a ex-ministro do STJ em esquema ligado ao “Careca do INSS

Pagamentos foram feitos após saída de Nefi Cordeiro da Corte; CPMI do INSS quebrou sigilo de empresas envolvidas

Por Redação com agências 08/01/2026 09h09
Coaf aponta repasses de R$ 595 mil a ex-ministro do STJ em esquema ligado ao “Careca do INSS
Nefi Cordeiro, advogado e ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça - Foto: Reprodução

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou repasses que somam R$ 595 mil a um escritório ligado ao ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro, provenientes de uma empresa associada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. As informações foram encaminhadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga desvios no Instituto Nacional do Seguro Social.

Segundo o documento, a empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A realizou três transferências bancárias ao escritório de advocacia de Nefi Cordeiro, totalizando R$ 445 mil, entre outubro de 2023 e outubro de 2024. Além disso, foi emitido um cheque de R$ 150 mil, sacado diretamente pelo ex-magistrado. Todos os pagamentos ocorreram após sua aposentadoria do STJ, em março de 2021, motivada por questões de saúde.

A ACX ITC entrou no radar da CPMI após a quebra de seu sigilo fiscal. A empresa foi identificada como destinatária de recursos da Arpar Participações e Empreendimentos, controlada por Antônio Carlos Antunes. Investigações da Polícia Federal indicam que a Arpar funcionava como uma “empresa de passagem”, utilizada para pulverizar valores e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. Ao menos R$ 4,4 milhões teriam sido transferidos da Arpar para a ACX ITC.

O caso é analisado no contexto de um esquema mais amplo de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários, apurado pela CPMI do INSS. A comissão busca identificar beneficiários finais e eventuais responsabilidades civis e criminais.

Procurado, o ex-ministro Nefi Cordeiro não se manifestou até a publicação. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.