Nacional
Mulher trans de 18 anos é morta por motorista de aplicativo na Bahia; caso é investigado como feminicídio
Motorista de 19 anos levou corpo à delegacia, confessou o crime e foi liberado após alegar legítima defesa
09/12/2025 17h05
Uma mulher trans de 18 anos, identificada como Rhianna, foi morta com um golpe de “mata-leão” na noite de sábado (6) em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. O suspeito, o motorista por aplicativo Sérgio Henrique Lima dos Santos, de 19 anos, levou o corpo à delegacia do município, confessou o crime e foi liberado após alegar legítima defesa, informou a Polícia Civil.
O caso, que gerou grande repercussão nas redes sociais e mobilizou autoridades, será investigado como feminicídio.
Em depoimento, Sérgio Henrique afirmou que contratou Rhianna para um programa em Barreiras, a cerca de 90 km de Luís Eduardo Magalhães. Após o encontro, ele a levava de volta para casa quando uma discussão começou. Segundo ele, Rhianna o teria ameaçado expor o programa e acusá-lo de estupro.O motorista contou que aplicou o “mata-leão” ao interpretar um movimento da vítima em direção à bolsa como uma ameaça. A Polícia Civil não esclareceu se ele confessou a prática de estupro ou se a ameaça mencionada seria falsa.
Depois do crime, o motorista se apresentou espontaneamente na delegacia e pediu socorro. O Samu foi acionado, mas a vítima já estava morta.
Por que o motorista foi liberado
De acordo com a Polícia Civil, Sérgio Henrique não ficou preso porque se apresentou voluntariamente e confessou o crime — situação em que, segundo a legislação brasileira, a prisão em flagrante não se aplica.
O advogado criminalista Miguel Bonfim explicou à imprensa que a Constituição prevê que ninguém pode ser preso sem flagrante ou ordem judicial fundamentada. “Por mais infeliz e repugnante que isso possa parecer, a regra é responder ao processo em liberdade”, afirmou.
Caso mobilizou órgãos
O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) informou que acompanha o caso e solicitou informações à Polícia Civil para adotar as providências necessárias. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) também declarou que seguirá o andamento das investigações.
A Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da OAB-BA acompanha o processo e se manifestou sobre a gravidade do caso. “Ele proferiu um mata-leão e matou essa mulher trans apenas por uma ameaça. Isso incomoda toda a comissão e a OAB da Bahia”, disse Ives Bittencourt, presidente da comissão.
A investigação está a cargo da delegacia de Luís Eduardo Magalhães, que apura as circunstâncias da morte de Rhianna sob a tipificação de feminicídio. O motorista poderá ser novamente ouvido conforme o avanço das apurações.
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