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Protesto contra concessão da Ceasa bloqueia trânsito no Centro de Maceió
Permissionários temem aumento de taxas, demissões e alta nos preços dos alimentos; projeto prevê transferência da gestão do complexo à iniciativa privada por até 60 anos
Permissionários da Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa) realizaram um protesto nesta quinta-feira dia 15 de outubro, nas proximidades da Praça do Montepio, no Centro de Maceió. A mobilização é contra o projeto de lei que autoriza a concessão do complexo à iniciativa privada e provocou o bloqueio do trânsito na região.
Os trabalhadores temem que a mudança na administração resulte em aumento das taxas cobradas dos comerciantes, fechamento de pequenos estabelecimentos e demissões. Eles também demonstram preocupação com possíveis impactos nos preços dos alimentos vendidos em Alagoas.
A proposta deve passar por votação em segundo turno na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). De autoria do governador Paulo Dantas (MDB), o Projeto de Lei Ordinária nº 2.123/2026 prevê a concessão onerosa do complexo por 30 anos, com possibilidade de renovação por igual período.
Caso seja aprovado sem alterações, o texto seguirá para sanção do governador.
Trabalhadores cobram diálogo e transparência
A manifestação ocorre um dia após uma sessão especial na Assembleia Legislativa, na qual comerciantes, permissionários e representantes da categoria cobraram mais diálogo e transparência sobre a proposta.
Os trabalhadores afirmam que não receberam informações suficientes sobre as possíveis mudanças na administração da Ceasa e pedem que os deputados estaduais considerem as reivindicações antes de decidir sobre o projeto.
A categoria defende que os impactos da concessão sobre os pequenos comerciantes, os empregos e os consumidores sejam discutidos antes da aprovação da medida.
Apesar de os manifestantes utilizarem o termo privatização, o projeto prevê uma concessão de uso do complexo, e não a venda do imóvel público.
Nesse modelo, a propriedade permanece com o Estado, enquanto a empresa vencedora de uma futura licitação assume a gestão, a operação, a manutenção, a modernização e a exploração econômica do espaço durante o período previsto no contrato.
A proposta estabelece prazo inicial de 30 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 30. As preocupações dos permissionários estão relacionadas às condições que poderão ser estabelecidas para o funcionamento dos negócios e à sustentabilidade financeira dos comerciantes após uma eventual mudança na gestão.
