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El Niño coloca Alagoas em alerta e governo cria comitê especial

Grupo reúne órgãos de diferentes áreas para acompanhar o clima e preparar o estado para possíveis mudanças no regime de chuvas e outros efeitos do fenômeno

Por Esther Barros 26/08/2026 13h01
El Niño coloca Alagoas em alerta e governo cria comitê especial
O El Niño, pode reduzir a quantidade de chuvas e provocar seca nos municípios alagoanos. - Foto: Reprodução

O Governo de Alagoas decidiu se antecipar aos possíveis efeitos do El Niño e criou uma estrutura para acompanhar de perto as condições climáticas no estado. 

O decreto que institui o Comitê Interinstitucional para Prevenção, Monitoramento, Preparação e Resposta aos Impactos do fenômeno foi publicado no Diário Oficial nessa terça-feira (25).

A medida não significa que Alagoas esteja diante de uma situação de emergência. A ideia é justamente trabalhar com prevenção, reunindo informações de diferentes áreas para que o poder público consiga identificar riscos e agir com antecedência caso as condições climáticas mudem.

O El Niño é um fenômeno que altera a circulação atmosférica e pode provocar mudanças no comportamento das chuvas e das temperaturas. Em Alagoas, dependendo da intensidade e da evolução do fenômeno, essas alterações podem trazer períodos de chuva abaixo ou acima do esperado, afetando principalmente o abastecimento de água, os reservatórios e a produção agrícola.

Também podem surgir reflexos em outras áreas. A redução das chuvas, por exemplo, pode aumentar a pressão sobre os recursos hídricos e prejudicar atividades agropecuárias. Já episódios de chuva intensa, quando ocorrerem, podem elevar o risco de alagamentos, deslizamentos e outros transtornos em áreas vulneráveis. O próprio decreto considera possíveis consequências para a agricultura, saúde, infraestrutura, segurança alimentar, assistência social e abastecimento.

É justamente para acompanhar esse cenário que o novo grupo foi criado. A coordenação ficará com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), com apoio técnico da Superintendência de Prevenção em Desastres Naturais (SPDEN).

A proposta é cruzar informações sobre chuva, temperatura, rios, reservatórios e abastecimento com dados de áreas como agricultura, saúde e assistência social. Com isso, o governo pretende identificar quais regiões e setores podem ficar mais vulneráveis e definir medidas antes que eventuais problemas se agravem.

A iniciativa reúne Defesa Civil, secretarias de Agricultura e Pecuária, Saúde, Infraestrutura e Assistência e Desenvolvimento Social, além de órgãos como Casal, Arsal, Codevasf, Incra, Conab e o Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas (ICAT/UFAL).

Um dos principais resultados esperados será a elaboração de um plano com as ações que deverão ser adotadas diante dos diferentes cenários. O documento deverá apontar áreas prioritárias, grupos mais vulneráveis, responsabilidades de cada órgão e formas de comunicação e alerta à população.

O monitoramento também deverá observar indicadores como os acumulados e déficits de chuva, níveis dos rios, condições dos reservatórios e abastecimento de água. Informações sobre agricultura, saúde pública, vulnerabilidade social e segurança alimentar também farão parte do acompanhamento.

O grupo permanecerá funcionando durante o período considerado crítico para os possíveis efeitos do El Niño e poderá ter sua atuação ampliada ou modificada conforme a evolução das condições climáticas.

Mais do que esperar que os problemas apareçam, a estratégia adotada pelo Estado busca acompanhar os sinais com antecedência. Em um cenário de mudanças no regime de chuvas, essa preparação pode ser importante para reduzir transtornos e dar mais rapidez à resposta caso Alagoas enfrente períodos de estiagem, chuvas intensas ou pressão sobre o abastecimento.