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HGE é porta aberta especialmente para casos graves, diz Fernando Fortes

Segundo ele, o HGE tem um papel definido na rede pública de saúde: atender pacientes de média e alta complexidade, especialmente em situações em que há risco de morte

Por Blog de Edivaldo Junior 17/08/2026 08h08
HGE é porta aberta especialmente para casos graves, diz Fernando Fortes
Fernando Fortes. - Foto: Reprodução Youtube

O Hospital Geral do Estado, o HGE, continua sendo porta aberta para a população. Mas não é uma unidade para qualquer tipo de atendimento. A explicação é do diretor-geral do hospital, Fernando Fortes Melro Filho, em entrevista ao Fala, Líder (veja aqui), programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió.

Segundo ele, o HGE tem um papel definido na rede pública de saúde: atender pacientes de média e alta complexidade, especialmente em situações em que há risco de morte, necessidade de estabilização imediata ou presença de especialidades médicas que não estão disponíveis em unidades de menor porte.

“O paciente de média e alta complexidade será atendido pelo HGE. Levou uma topada, vai para a UPA. Está com AVC, vai para o HGE”, resumiu.

A frase ajuda a explicar uma mudança importante na organização da saúde pública em Alagoas. O HGE não deixou de receber pacientes. O que mudou foi o fluxo.

Casos simples, que podem ser resolvidos em unidades básicas, UPAs ou hospitais de menor complexidade, devem seguir para esses serviços. Já situações como AVC, infarto, politrauma, acidente grave, queimadura, ferimento por arma de fogo, trauma vascular, neurocirurgia e urgências ortopédicas seguem tendo o HGE como principal referência.

A lógica, segundo Fernando, é evitar que um atendimento simples ocupe o espaço de quem precisa de resposta imediata para continuar vivo.



“Você termina tirando um leito de uma pessoa que realmente precisa daquele leito”, disse.

O hospital certo para o caso certo

Durante muito tempo, o HGE recebeu praticamente todo tipo de demanda. Era o destino de pacientes graves, mas também de casos de baixa complexidade, cortes simples, pequenas intercorrências e situações que poderiam ser resolvidas em outros pontos da rede.

Esse quadro, segundo Fernando, começou a mudar com a ampliação da estrutura estadual de saúde nos últimos anos. Ele citou a criação de UPAs e hospitais regionais e especializados, como o Hospital do Norte, Hospital da Mata, Hospital do Alto Sertão, Hospital Metropolitano, Hospital da Mulher, Hospital de Palmeira dos Índios e Hospital da Criança.

Com essa rede em funcionamento, o HGE passou a concentrar melhor sua missão.

O paciente chega, é classificado, estabilizado quando necessário e, se o caso exigir, permanece no hospital. Quando o perfil clínico indica outro tipo de cuidado, pode ser transferido pela regulação para a unidade mais adequada.



“Como a gente tem uma rede hoje especializada, fica no HGE o paciente que vai ser tratado no HGE”, explicou.

O exemplo mais simples é o da pequena lesão. Um corte no dedo, uma topada ou um atendimento de baixa gravidade deve ir para uma UPA. Um AVC, um infarto, um acidente de moto com politrauma ou uma queimadura grave deve ir para o HGE.

Não é uma questão de negar atendimento. É uma questão de salvar tempo, leito e equipe para os casos que exigem alta complexidade.

Todas as especialidades

Fernando Fortes insiste em um ponto: o diferencial do HGE não é apenas o prédio, mas a assistência disponível.

A unidade funciona com plantonistas 24 horas e reúne especialidades essenciais para casos graves, como neurologia, cardiologia, neurocirurgia, cirurgia geral, cirurgia vascular, ortopedia, cirurgia plástica e atendimento a queimados.



“O diferencial do HGE é a assistência”, afirmou.

Hoje o hospital tem 357 leitos, cerca de 15 mil metros quadrados de área física e aproximadamente 3 mil funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, maqueiros e equipes administrativas.

Segundo Fernando, essa estrutura permite que pacientes graves sejam recebidos, avaliados e estabilizados com rapidez.

Ele citou o caso de uma vítima de acidente que chegou ao hospital em estado grave e, em cerca de meia hora, já estava no centro cirúrgico, acompanhada por cinco especialidades: neurologia, cirurgia vascular, cirurgia geral, cirurgia plástica e ortopedia.

O paciente, segundo o diretor, tinha alto poder aquisitivo e poderia buscar qualquer hospital depois de estabilizado. Mas, no primeiro momento, precisava do HGE.

“Eu, você, o presidente da República, o governador, o prefeito, qualquer um de nós, se tiver algum acidente, para ficar vivo, tem que ir para o HGE para estabilizar”, afirmou.



Prédio novo não salva vidas

Na entrevista, Fernando reconheceu que o HGE funciona em um prédio antigo e que a estrutura física tem limitações. Mas afirmou que o hospital é mantido, conservado e equipado para cumprir sua função principal.

Para ele, a discussão sobre saúde não pode se limitar à aparência do prédio.

“O prédio novo não salva vidas. O que salva vidas é a assistência”, disse.

A frase resume a defesa que o diretor faz da unidade. Segundo ele, de nada adianta uma estrutura bonita se não houver equipe, especialistas, equipamentos, insumos e capacidade de resposta para pacientes graves.

É por isso que, na avaliação dele, o HGE precisa ser entendido a partir do que entrega: atendimento de urgência, estabilização, cirurgias complexas, exames, hemodinâmica, UTI e suporte multidisciplinar.

Hemodinâmica e procedimentos caros



Um dos avanços destacados por Fernando é a hemodinâmica. O HGE conta hoje com duas hemodinâmicas. A segunda, segundo ele, foi inaugurada recentemente. O serviço permite realizar procedimentos como cateterismo, angioplastia, intervenções vasculares, tratamentos neurológicos e procedimentos menos invasivos com uso de stents.

Só neste ano, de acordo com o diretor, foram realizados cerca de 800 cateterismos e aproximadamente 400 procedimentos com stent.

Ele também citou um caso em que o stent utilizado em uma paciente custou R$ 200 mil. O procedimento foi realizado pelo SUS, com custeio do Estado.

“Isso foi feito pelo SUS. Foi o Estado que bancou o tratamento dessa paciente”, disse.

Para Fernando, esse tipo de atendimento ajuda a mostrar a dimensão real do HGE. Muitos procedimentos realizados na unidade são caros, urgentes e complexos. Em alguns casos, seriam difíceis até mesmo na rede privada, especialmente quando se trata de emergência.

UTIs e estabilização

Outro ponto explicado por Fernando foi o funcionamento dos leitos de UTI.



O HGE tem cerca de 65 leitos de UTI, considerando as unidades adulta, pediátrica, cardíaca e adolescente. Recentemente, foram abertos 10 leitos de UTI para adolescentes. Outros 10 leitos de UTI adulta devem ser abertos por determinação do governador Paulo Dantas, segundo o diretor.

Fernando também explicou que nem todo paciente grave vai imediatamente para a UTI. Muitas vezes, antes disso, ele precisa ser estabilizado em áreas específicas do próprio hospital.

O paciente pode ficar na área vermelha, na recuperação cirúrgica ou na área amarela, que funciona como semi-UTI, até reunir condições clínicas de transferência para uma UTI.

“Às vezes a pessoa diz: o paciente passou três dias no HGE e não foi para a UTI. Mas ele foi depois de três dias porque estava sendo estabilizado”, explicou.

Esse tipo de informação, segundo Fernando, é importante para reduzir a angústia das famílias e melhorar a compreensão sobre o funcionamento de um hospital de urgência.

O tamanho da demanda

Mesmo com a reorganização do fluxo, o HGE segue sendo a unidade de maior pressão assistencial em Alagoas.



Fernando afirmou que o hospital atende cerca de 4.500 pacientes por mês, enquanto a segunda unidade com maior volume atenderia cerca de 500.

Além dos 357 leitos, há pacientes em observação, em atendimento, em estabilização ou aguardando encaminhamento. Em determinados momentos, segundo ele, o hospital chega a ter cerca de 420 pacientes circulando internamente.

O volume reflete o papel do HGE na rede. É para lá que seguem vítimas de acidentes de moto, colisões, atropelamentos, quedas graves, ferimentos por arma de fogo, queimaduras, AVC, infartos e outras ocorrências que exigem equipe especializada.

A ortopedia, segundo Fernando, é uma das áreas mais demandadas, especialmente por causa dos acidentes de trânsito, com destaque para motocicletas.

Hospital que todos podem precisar

A entrevista também serviu para Fernando defender uma relação mais responsável da sociedade com o HGE.



Para ele, o hospital não deve ser tratado apenas como alvo de crítica política ou como sinônimo de problema. A unidade tem limitações, mas ocupa um lugar essencial no sistema público de saúde.

É o hospital que recebe o paciente quando não há tempo para agendamento, preparação ou escolha. Quando o caso é grave, a resposta precisa ser imediata.

Outros hospitais podem fazer cirurgias eletivas, consultas marcadas e procedimentos programados. O HGE lida com o imprevisível.

Caiu da moto, bateu o carro, levou um tiro, sofreu queimadura, teve AVC ou infarto: é esse o tipo de situação para a qual o HGE existe.

Fernando resume esse papel em uma ideia simples: qualquer pessoa pode precisar do hospital.

“Todos nós podemos precisar do HGE em qualquer momento”, afirmou.

Na prática, o HGE é o lugar onde o SUS atua no limite da urgência. Não é a porta para todos os problemas. É a porta para os casos graves. E, nesses casos, cada minuto importa.